1890 – Suicídio de Camilo Castelo

› Foi “com dor profundíssima” que o DN noticiou, na capa de 2 de junho, a morte de Camilo Castelo Branco, “o egrégio romancista e crítico”, “alucinado por uma doença que lhe roubara a luz dos olhos e por fim lhe tirou a luz da razão”.

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

“Aquela inteligência vigorosa, aquele cérebro de excepcionais faculdades, caiu, foi destruído, apagou-se por um ato de loucura!”, escreveu o DN ao noticiar a morte, a 1 de junho de 1890, de Camilo Castelo Branco . O prolífico escritor, autor de obras como Amor de Perdição, O Retratro de Ricardina, A Queda dum Anjo ou Memórias do Cárcere, foi romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta, tradutor, dono de um sentido de humor mordaz e de um carácter instável. Vivia da escrita, o que significa que escrevia a pensar no público, mas era respeitado, como se percebe por esta nota de pesar publicada no DN na altura: “Ao lado dos homens eminentes do seu seu tempo, pertencia-lhe o primeiro lugar. Ninguém como ele conhecia todos os segredos da boa linguagem portuguesa: ninguém como ele sabia ornar o seu estilo com toda a pujança, com todas as galas do idioma nacional”. A cegueira provocada pela sífilis conduz Camilo a um estado de desespero a que põe fim com um tiro, aos 65 anos. MARIA JOÃO CAETANO

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