1961 – Paquete ‘Santa Maria’

“Em todo o País, o ato de pirataria causou indignação e repulsa”, era um dos títulos que ocupavam a 1ª página do DN. “A consciência dos portugueses condenará sem hesitações este crime praticado contra Portugal”, lia-se no editorial.

Regresso do paquete Santa Maria

Regresso do paquete Santa Maria

A tomada de um paquete com 612 passageiros a bordo e 350 tripulantes levada a cabo por 23 revolucionários portugueses e espanhóis agitou a madrugada de 22 de janeiro de 1961, no mar das Caraíbas, Venezuela. Era a primeira captura de um navio por razões políticas. Comandados por Henrique Galvão e Jorge Soutomaior, apoderaram-se do paquete Santa Maria duas dezenas de membros do DRIL – Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação, organismo constituído por opositores aos regimes de Franco e Salazar. O plano era designado por “operação Dulcineia”, personagem de D. Quixote, de Cervantes, e consistia no desvio do navio, para posterior ocupação da colónia espanhola de Fernando Pó. Partiria depois rumo a Luanda, onde iniciaria o derrube dos governos de Lisboa e de Madrid. A 2 de fevereiro, o paquete, que passara a chamar-se Santa Liberdade, fundeou no Recife e os revolucionários entregaram-se às autoridades. Nesse dia, o paquete voltou a chamar-se Santa Maria.  SÍLVIA FRECHES

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