1974 – Golpe das Caldas

A 1ª página do dia 17 de março de 1974 dá conta da rendição “sem resistência” dos “oficiais que se tinham insubordinado” nas Caldas da Rainha “e que haviam tomado a direção de Lisboa”. Num destaque sobressai a garantia do Governo: “Reina a ordem em todo o País.”

Tentativa de golpe militar no Regimento de Infantaria nº 5 nas Caldas da Rainha

Tentativa de golpe militar no Regimento de Infantaria nº 5 nas Caldas da Rainha

A elevada concentração de forças leais ao regime à entrada de Lisboa, na madrugada de 16 de março de 1974, forçou o regresso às Caldas da Rainha dos militares do Regimento de Infantaria 5 que tentaram derrubar a ditadura. O chamado Golpe das Caldas previa a participação de outras unidades. Porém, problemas de comunicação – agravados pela prisão de cabecilhas do Movimento dos Capitães – terão justificado o avanço isolado da coluna comandada pelo capitão Armando Marques Ramos. Marcelo Caetano qualificou a ação como uma aventura, quando serviu como balão de ensaio para a Revolução dos Cravos, cinco semanas depois, em abril. A tentativa de golpe traduzia a insatisfação dos militares com a Guerra Colonial e deu-se dois dias após terem sido demitidos os generais Spínola e Costa Gomes, por recusa em ir à cerimónia de beija-mão ao regime. Ambos ocupavam o topo da hierarquia militar e o primeiro lançara no mês anterior Portugal e o Futuro, obra em que defendia a via política como solução para a Guerra Colonial. MANUEL CARLOS FREIRE

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