1977 – Avião cai na Madeira e mata 131 pessoas

Na primeira página o DN fez referência à “maior tragédia da aviação portuguesa”, que vitimou 130 (depois subiu para 131). Uma aterragem em condições adversas feita por “um comandante da TAP explodiu no final da pista” e partindo-se em três. Enquanto os meios de socorro da ilha não sabiam o que fazer aos cadáveres, a companhia aérea colocou um avião à disposição dos familiares das vítimas que, “carregadas de luto e dor”, seguiram para o Funchal para reconhecer os corpos e, em alguns casos, estar com os familiares que sobreviveram ao trágico acidente.

Destroços do avião que se despenhou próximo do Aeroporto de Santa Catarina

Destroços do avião que se despenhou próximo do Aeroporto de Santa Catarina

Ostentava o nome do pioneiro da aviação portuguesa, Sacadura Cabral, curiosamente falecido num acidente aéreo no canal da Mancha, a aeronave, com 164 pessoas a bordo, que às 21.48 do dia 19 novembro de 1977 se despenhou no Aeroporto de Santa Catarina, na Madeira.

O voo TP425 fazia-se à pista sob chuva intensa. Devido às condições meteorológicas adversas e de duas tentativas de aterragem falhadas, o comandante sabia que tinha uma última oportunidade, caso contrário o voo teria de ser desviado para Las Palmas (Espanha). Essa última oportunidade revelou-se fatal. O avião aterrou muito para lá do normal na curta pista do aeroporto, deslizou pelas águas acumuladas e saiu da pista.

Com o impacto o avião partiu-se em dois, com parte da aeronave a ficar em cima de uma ponte e a outra a cair sobre a praia a mais de 130 metros e a ser consumida pelas chamas. Morreram 131 pessoas, sobreviveram 33. As urnas funerárias existentes na ilha não chegaram para os cadáveres, alinhados, nas rochas, e depois, no edifício do aeroporto, cobertos com mantas e lençóis, à espera das urnas enviadas do continente.

No dia seguinte a cauda do avião foi pintada, ocultando assim o logótipo da companhia para evitar que o acidente desse origem a má imagem da TAP. O relatório do acidente apontou como causa provável do acidente as condições meteorológicas “muito desfavoráveis”, com possível hidroplanagem e uma aproximação demasiado longa, facto de que a TAP discordou. Num relatório interno a companhia aérea culpou as “acumulações de borracha” na pista, que não permitiam o escoamento das chuvas. Mas muitos apontaram falha humana às possíveis causas. A tripulação do TP425 fazia o quinto voo do dia, o terceiro seguido sob o comando de João Costa, que saiu de Lisboa rumo a Bruxelas, regressou à capital e seguiu para o Funchal.

A TAP assegurou os tratamentos médicos aos 33 sobreviventes e pagou indemnizações entre os 125 e 1200 contos (650 a 6000 mil euros), mas quem recusou só em 2006 viu o processo em tribunal resolvido. E segundo o relatório e contas (1978), a transportadora ganhou 193,4 mil contos (96 mil euros) com o acidente, entre indemnização da seguradora e o valor do avião.

Em consequência do acidente a empresa avançou para a ampliação da pista – ainda hoje considerada uma das mais difíceis para aterrar a nível mundial – de 1600 para os 2781 metros atuais, e deixou de voar com a versão 200 do Boeing 727 para o Funchal, passando a voar com a versão 100, cinco metros mais curto. ISAURA ALMEIDA

Sem comentários

  1. Arnaldo relvas

    Estava no aeroporto do Funchal à espera deste avião para vir para Lisboa,Já aterrou atrasado e chovia muito.Vi o avião tocar a pista mesmo à frente da sala onde me encontrava.Ouvi pouco depois um tipo de explosão.
    Ao fim de algum tempo apareceu uma funcionária da TAP a dizer-nos que o comandante já nos vinha dizer que estava tudo bem……
    Esperamos é nunca mais aparecia ninguém…..pensei que se tratasse de um pneu rebentado……
    Mais algum tempo apareceu um sobrevivente de fato escuro ainda recordo,a fugir a abraçar a família que o esperava….
    Passado mais algum tempo soube do que se tinha passado e fui com dois amigos de carro até ao local onde o avião se tinha partido.
    As pessoas morreram queimadas…..e havia muitas bonecas espalhadas pelo chão e o cheiro a carne queimada era muito intenso.
    Nessa noite fui dormir no Hotel D.Pedro onde por sinal conhecia o diretor Joao Fernandes.Dormir não direi.
    Grande parte dos meus amigos no dia seguinte não queria voltar para Lisboa de avião…..só de barco diziam alguns.
    Eu voltei para Lisboa no primeiro voo que no dia seguinte veio para Lisboa.
    A viagem foi absolutamente invulgar.A maioria dos passageiros rezava……e quando chegamos a Lisbia todos bateram palmas por longos minutos….
    Nessa altura realizou-se no Funchal o Congresso da APAVT .

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