1986 – União Soviética calou Chernobyl

O DN pôs a 29 de abril a notícia na primeira página: “URSS admite desastre nuclear.” Para fonte diplomática ocidental em Moscovo, era “um grande passo em frente” a URSS “ter comunicado o acidente” – uma indicação da sua gravidade.

Vista aérea da central nuclear

Vista aérea da central nuclear

Um teste que devia ter sido de rotina desencadeou na madrugada de 26 de abril de 1986 o pior desastre nuclear da história, só igualado em 2011 pelo de Fucoxima, no Japão. Mas Chernobyl libertou mais radiação e causou mais vítimas: 64 mortos diretos, entre o pessoal da central, os primeiros bombeiros e 15 crianças, das mais de quatro mil que contraíram cancro da tiroide anos depois, além de mais de 350 mil desalojados, doentes e uma vasta região contaminada. Correu tudo mal na central ucraniana. O equipamento obsoleto e falhas de segurança eram a trágica expressão de uma União Soviética isolada, a caminho do fim. O reator 4 explodiu e libertou uma nuvem radioativa que rumou a Ocidente e foi detetada dois dias depois na Suécia. Só depois disso, Mikhail Gorbachev  admitiu o desastre. A cidade de Pripyat, junto à central, viveu um dia inteiro na ignorância e só a 27 de abril os seus 50 mil habitantes foram retirados. A verdadeira extensão das consequências na saúde dos europeus é uma incógnita. FILOMENA NAVES

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