1990 – A libertação de Mandela

A foto correu mundo e fez manchete no DN. Duas mãos dadas. As outras duas erguidas, de punho fechado. Nelson e Winnie Mandela livres mas em luta. Na sua morte, no ano passado, o DN dedicou-lhe um suplemento especial de 24 páginas. Mas preferiu outra imagem. A do homem que ganhou direito a ter sempre um sorriso no rosto.

A foto que correu mundo

A foto que correu mundo

O homem que saiu da prisão sul-africana de Victor Verster às 14.15, uma hora atrasado, do dia 11 de fevereiro de 1990, não era ainda o último grande herói mundial cuja morte foi chorada nos cinco continentes a 5 de dezembro de 2013. Não era também ainda o líder sem qualquer sede de vingança que Clint Eastwood pôs Morgan Freeman a interpretar em Invictus. Mas era já muito mais do que se podia esperar de quem tinha passado grande parte dos 27 anos de prisão confinado à cela 466/64 de 2,5 metros por 2,1 em Robben Island. É verdade que nas suas primeiras frases em liberdade, em direto para televisões de todo imundo, insistiu na necessidade de manter a luta armada do ANC para pôr fim ao último grande regime racista mundial (via apartheid). Mas rapidamente se tornou no estadista Invictus (poema de Ernest Henley que o inspirava), capitão da sua alma, senhor não só do seu destino mas do de tantos. Negros e não só. Capaz de melhorar o mundo pelo seu exemplo pessoal. FILOMENA MARTINS

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