1991 – O golpe falhado em Moscovo

“Cavaco teme pelo destino de Moscovo” era o título do DN sobre a posição do Governo português perante o golpe de Estado na capital russa ocorrido na véspera. Foi um especial de 12 páginas na edição dessa terça--feira, 20 de agosto.

Ieltsin discursa em cima de um tanque apelando às Forças Armadas que não apoiem o golpe

Ieltsin discursa em cima de um tanque apelando às Forças Armadas que não apoiem o golpe

Algumas coisas parecem ser demasiado grandes para cair. Era este o sentimento dominante no mundo durante a desagregação da URSS no início da década de 90.

No contexto de então, era quase inevitável ver o golpe de Estado de Moscovo de 19 de agosto de 1991 como um regresso à “linha dura” comunista que definira a história do país. “Ditadura regressa à URSS”, titulou o DN no dia a seguir ao golpe, dando como certa a queda de Gorbachev e o fim da perestroika e da glasnost.

Aproveitando que o Presidente passava férias na sua dacha na Crimeia, o vice–presidente, Guennadi Ianaev – apoiado por figuras principais do Partido e do KGB -, assumiu o poder. Nesse dia, ninguém adivinharia a influência de Boris Ieltsin, Presidente da Rússia, que em cima de um tanque apelou aos soldados: “Não há regresso ao passado, e não haverá.” E não houve. Sem apoio militar, os golpistas foram presos a 21 de agosto. O golpe de Estado acabou por ser um golpe de misericórdia na URSS, que se dissolveu a 26 de dezembro. RICARDO SIMÕES FERREIRA

Deixe o seu comentário