1998 – A Expo’98 e um novo mundo

Na sua edição de 23 de maio de 1998, o DN ilustrava a primeira página apenas com a foto da mascote da exposição, o famoso Gil, abraçado por uma imensidão de crianças. No título, apenas duas palavras: “Temos Expo”. Mais uma edição especial sobre o Dia D da exposição mundial tão aguardada há cinco anos. Além das reportagens do dia, dos discursos de circunstância e do corte de fitas nos pavilhões, o DN, como jornal oficial da exposição, tinha outra novidade para esse dia: o lançamento de um jornal interno – Diário da Expo – feito por uma redação própria, distribuído gratuitamente no recinto aos visitantes.

Inauguração da Expo'98

Inauguração da Expo’98

O vento entorpecia o corpo naquela manhã de 22 de maio de 1998, junto ao Tejo. Mas eram já muitas as centenas de pessoas que faziam fila junto à Porta do Sol (hoje entrada principal do Centro Comercial Vasco da Gama) para a contagem decrescente de abertura de portas da Expo’98 – a exposição internacional dedicada aos oceanos, a última do século XX. A ânsia de pôr um pé do outro lado do recinto era grande, assim poderiam dizer: “Fomos os primeiros.” Os primeiros a ver o que tinha o projeto que colocou Portugal na “crista da onda”, como comentavam jornais nacionais e internacionais, ou que deu ao resto do mundo uma outra imagem de credibilidade do País: 150 pavilhões, espalhados por cinco hectares, cinco mil eventos culturais.

Na altura, nada de selfies, mas assim que os torniquetes foram ativados às dez da manhã, portugueses, espanhóis, franceses, dinamarqueses, holandeses, japoneses, italianos, etc., entraram e, em poses, desataram a disparar as máquinas, com o Tejo, no seu tom acastanhado, a servir de cenário. Ao fim de 14 horas, depois do espetáculo, na Doca dos Olivais, e do fogo de artifício, estava cumprido o primeiro dia: cem mil visitantes, 11 chefes de Estado a inaugurar pavilhões, 1300 crianças convidadas e, a mascote, o Gil, em homenagem a Gil Eanes, concebida pelo pintor António Modesto e pelo escultor Artur Moreira, a ser um sucesso. Até ao dia 30 de setembro, todos os caminhos desembocavam no Oriente de Lisboa. No aeroporto, o fluxo de voos aumentou, graças a algumas obras, a Ponte Vasco da Gama, à data a maior da Europa, com 17,3 quilómetros, construída para trazer espanhóis e outros povos da Europa, foi inaugurada a 29 de março, pela a A1, que ligava o Norte ao Sul, passavam diariamente milhares de carros.

No recinto, o trabalho começou do zero cinco anos antes. Onde anteriormente havia indústrias, fábricas, matadouros e empresas de gás, foram erguidas réplicas de edifícios de vários países, pavilhões científicos e culturais, jardins, um teleférico, etc. Durante quatro meses e meio, 150 povos experimentaram a multiculturalidade. E Portugal provou estar à altura de um evento destes. Depois, seguiu-se a fase da transformação para uma das mais importantes áreas urbanas e arquitetónicas da Europa. Mas a herança deixada foi pesada. Os 11 milhões de visitantes, contra os 15 milhões esperados, não chegaram para superar os 1,2 mil milhões pedidos para financiar a ideia de Mega Ferreira e Vasco Graça Moura, surgida em 1989. O fiasco de certos negócios fizeram que a Expo’98 terminasse com uma dívida que hoje, após 15 anos, se mantém acima dos 150 milhões de euros. A ministra Assunção Cristas quer extinguir agora a empresa Parque Expo, encarregada da gestão do evento e do espaço. ANA MAFALDA INÁCIO

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