2003 – Sapatos na cara de Saddam

Antes e depois da queda de Saddam, o DN teve uma dezena de enviados ao Iraque durante 2003. E as suas reportagens mostram um país primeiro sob ditadura, depois em guerra, de seguida eufórico, finalmente mergulhado no caos.

O humor de Bandeira retratando Saddam e Bin Laden

O humor de Bandeira retratando Saddam e Bin Laden

A imagem de iraquianos a tirar o sapato para bater na estátua derrubada de Saddam Hussein não deixava dúvidas sobre a queda do ditador. A 20 de março de 2003 os americanos e os seus aliados britânicos tinham começado a bombardear e em poucas semanas já não havia exército iraquiano capaz de enfrentar os soldados de Bush filho. Os acontecimentos em volta da estátua na praça Firdos, em Bagdad, a 9 de abril, testemunhavam o fim do homem que fez a guerra ao Irão dos ayatollahs, gaseou os curdos, invadiu o Koweit e resistiu a um primeiro ataque americano, o de Bush pai em 1991. Saddam foi descoberto num buraco na sua Tikrit natal em dezembro de 2003 e executado três anos depois, contestando o tribunal criado pelas novas autoridades, produto de eleições que deram o poder aos xiitas. Hoje, já com os americanos fora, o grupo Estado Islâmico apoia-se na minoria sunita, a que pertencia Saddam, para retalhar o Iraque e transformar a potência petrolífera numa teocracia. E as tais armas de destruição maciça, que justificaram a intervenção à revelia da ONU, nunca apareceram. Também não se provou a ligação com Bin Laden. LEONÍDIO PAULO FERREIRA