2008 – Obama presidente

Num dia histórico, o DN não quis deixar de dar o resultado das presidenciais americanas. E por isso decidiu, excecionalmente, esperar até se confirmar a vitória de Barack Obama como primeiro Presidente negro dos EUA. Assim, no dia 5 de novembro, sobre uma grande foto do presidente eleito, com a mulher e as filhas, titulava: “Obama histórico”. Na página 2, o redator principal Ferreira Fernandes, enviado especial à América, chamava a atenção para o papel do Ohio na vitória do candidato democrata, nas que foram as eleições mais participadas de sempre nos EUA: mais de cem milhões foram às urnas.

“A mudança chegou à América”, “Sim, ele conseguiu” ou “Uma nova era”. Um dia depois da vitória de Barack Obama nas presidenciais americanas de 4 de novembro de 2008, os títulos dos jornais refletiam o peso da eleição do primeiro Presidente negro dos EUA. Um momento histórico que, dois anos antes, quando o jovem senador do Ilinóis lançou em Chicago a sua candidatura, poucos acreditavam ser possível.

Obama visto pelo lápis de André Carrilho

Obama visto pelo lápis de André Carrilho

Filho de um queniano e de uma branca do Kansas, nascido no Havai em 1961 mas com uma infância passada na Indonésia, onde estudou numa escola muçulmana, Obama parece a própria encarnação de um mundo global. E depois de oito anos de presidência Bush, e com a imagem da América manchada tanto pelas guerras no Afeganistão e no Iraque como pelas torturas a suspeitos de terrorismo, a sua mensagem de mudança foi mais forte. Mais forte do que a máquina de campanha de Hillary Clinton, a ex-primeira-dama que derrotou nas primárias democratas, mas que depois chamou para sua secretária de Estado. Mais forte do que o passado de herói de guerra de John McCain, o seu adversário republicano.

Naquela noite da vitória, com a mulher, Michelle, e as filhas, Malia e Sasha, ao lado, o Presidente eleito garantiu: “Este é o nosso momento. Vamos trabalhar para abrir as portas para os nossos filhos, para voltar à prosperidade e promover a paz; para reclamar o sonho americano e reafirmar uma verdade fundamental: que sendo muitos, somos um; que enquanto respiramos, temos esperança, e quando nos confrontamos com o cinismo e a dúvida, e nos dizem que não vamos conseguir, respondemos com o credo que rege o espírito de um povo: Sim, podemos!”

A capa do DN relevando o acontecimento "histórico"

A capa do DN relevando o acontecimento “histórico”

Eleito com mais de 69 milhões de votos populares e 365 dos 538 grandes eleitores, Obama mal chegou à Casa Branca prometeu logo encerrar a prisão de Guantánamo. Mas depressa se confrontou com as dificuldades da política em Washington. Nobel da Paz 2009 – prémio precipitado, disseram muitos -, o homem que se destacara, como jovem senador estadual, pela oposição à Guerra do Iraque, defendendo antes resolver as coisas no Afeganistão, acabou por ordenar a morte de Ussama ben Laden, numa operação americana no Paquistão em maio de 2011. Numa presidência marcada pela crise económica e pelas lutas com o Tea Party, que deixaram, várias vezes, o Governo americano à beira da paralisação, aprovar a reforma da saúde foi um dos momentos marcantes da sua presidência. Agora, na reta final do segundo mandato, resta saber se Obama apoiará Hillary em 2016. HELENA TECEDEIRO

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