2008 – Queda do Lehman Brothers

“A pior crise desde 1929”. O DN de terça–feira 16 de setembro de 2008 noticiava em manchete a falência, na véspera, do quarto maior banco de investimentos dos EUA e a onda de choque que imediatamente varreu a economia de todo o mundo. Os analistas alertavam para o perigo de uma recessão mundial. E surgiam as primeiras questões. Porque se deixou cair o Lehman, se no mesmo dia a seguradora AIG foi salva da falência e o Merrill Lynch foi comprado pelo rival Bank of America por metade do preço? O DN dava ainda conta de que os fundos portugueses tinham 94 milhões de euros no Lehman Brothers.

Era "demasiado grande para cair" mas caiu mesmo e o seu espólio acabou por ser leiloado

Era “demasiado grande para cair” mas caiu mesmo e o seu espólio acabou por ser leiloado

Segunda-feira, 15 de setembro de 2008. Depois de um fim de semana interminável, com longas horas de discussão entre Tesouro e banqueiros, o Lehman Brothers, um dos maiores bancos dos EUA, anunciou a falência, com uma dívida de 700 mil milhões de dólares. A notícia caiu como uma bomba. Em Wall Street, o Dow Jones caiu 504,48 pontos, a maior queda desde 17 de setembro de 2001, após os ataques terroristas às Torres Gémeas. A onda de choque propagou-se às bolsas de todo o mundo. Era o princípio de uma das maiores crises financeiras mundiais, cujas dimensões ainda hoje não são totalmente conhecidas. “A queda do banco foi o sinal para o colapso global da confiança”, afirmou então César das Neves. O Lehman, com 158 anos, era uma instituição cuja história se confundia com a construção do império americano. E até hoje não é claro por que foi deixado cair. Antigo, grande e endividado demais para cair? Os EUA quiseram usar a derrocada do Lehman como exemplo. E o mundo afundou-se com ele. Seis anos depois, apesar da recuperação, ainda paira o receio de nova crise. “É agora claro que os EUA estavam errados ao permitirem a falência. O efeito foi o mesmo que o da quebra de uma peça que opere em alta velocidade: voaram estilhaços em todas as direções”, resumiu Tony Jackson, colunista do FT. VÍTOR MARTINS

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