2010 – A visita de Bento XVI

O DN iniciou três semanas antes a cobertura da visita de Bento XVI a Portugal com a elaboração de especiais sobre temas que questionam a Igreja, além dos pormenores de toda a viagem. E distribuiu medalhas e livros comemorativos. Manuela Paixão, a correspondente do jornal em Itália, fez parte da pool que acompanhou a viagem desde Roma. E uma vasta equipa de jornalistas acompanhou Ratzinger, reportagens e fotos publicadas nos atuais dos dias 11, 12, 13, 14 e 15 (oito e 16 páginas diárias). “Papa diz que a visita pastoral foi inesquecível”, titulou a notícia que deu por encerrado o tema. Foram creditados 2150 profissionais, de 24 países.

Bento XVI no Terreiro do Paço, Lisboa

Bento XVI no Terreiro do Paço, Lisboa

A Nunciatura Apostólica, em Lisboa, foi a principal base de apoio do papa Bento XVI na visita de quatro dias que fez a Portugal, entre 11 e 14 de maio de 2010 – com direito a algum descanso e passeios no jardim depois do almoço, um hábito que sempre manteve quando esteve no Vaticano. Ratzinger celebrou em Fátima o 10.º aniversário de beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, mas permaneceu mais tempo em Lisboa. Encontros quase obrigatórios com as autoridades nacionais, mas também com o mundo da cultura, sublinhando a característica de papa erudito, um estudioso do pensamento teológico e filosófico, que se lhe colocou logo que iniciou o pontificado, a 19 de abril de 2005.

Passavam minutos das 14.00 do dia 11 quando Bento XVI aterrou no aeroporto da Portela, numa missão de evangelização mas também de aproximação à população, tentando contrariar quem o apelidava de “antipático” e “frio” e em contraste com o seu antecessor, João Paulo II, o papa “popular” e “próximo dos jovens”. E fugiu ao protocolo desmistificando essa ideia, como quando apareceu à varanda da Nunciatura para saudar os jovens que o aguardavam ou saiu do papamóvel para cumprimentar as crianças em Belém.

“Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na esperança divina.” Assim falou na missa do Terreiro do Paço, dia 11, num altar construído de costas para o rio Tejo e que resultou num bilhete--postal da capital portuguesa para o mundo.

Teriam estado nesse fim de tarde na Baixa lisboeta 500 mil pessoas, mais do que na Cova da Iria, em Fátima, na noite da procissão e em que se iluminaram mais de 200 mil velas. O dia 13 nasceu com a celebração eucarística no Santuário, o terceiro dia de viagem e em que Bento XVI falou nos temas ditos fraturantes no seio da Igreja Católica. Criticou o aborto e as uniões homossexuais no discurso às organizações da Pastoral Social, em Fátima. Meses antes, tinha sido aprovado na Assembleia da República o casamento gay.

O último dia, a 14 de maio, dedicou-o ao Porto, onde proferiu missa na Praça da Liberdade para 120 mil pessoas, seguindo-se a saudação pela Avenida dos Aliados. No Aeroporto de Pedras Rubras, perto das 14.00, agradeceu o “acolhimento afetuoso”. Bento XVI despediu-se do País um dia depois de o Governo de José Sócrates anunciar as primeiras medidas de austeridade. E o Presidente Cavaco Silva viu na visita pastoral um incentivo para se ultrapassar a crise económica. Foi há quatro anos. CÉU NEVES

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