150 anos a antecipar o futuro

João Marcelino

João Marcelino

Esta edição especial do Diário de Notícias marca o início de um período em que vamos comemorar os 150 anos da nossa marca de informação, outrora apenas um jornal e hoje uma realidade multiplataforma com presença nos mais variados ambientes digitais.

Teremos iniciativas editoriais, culturais e sociais.

Envolveremos a sociedade portuguesa e distinguiremos os nossos melhores.

Contaremos com o apoio e o patrocínio de instituições e marcas de referência.

Vamos relembrar um pouco da nossa história e projetar o DN no futuro contando sempre com o jornalismo como fio condutor, seja em que plataforma for, do papel ao mundo digital, porque o grande património que assumimos é o da credibilidade da marca – e isso só tem que ver com a confiança das pessoas.

Hoje, nesta edição, desvendaremos uma parte deste projeto global, que abrangerá 300 dias, para lá e para cá de 29 de dezembro, o dia do aniversário do DN. E com esses 300 dias pretendemos estreitar a nossa ligação com os portugueses, relembrar-lhes como esta marca se confunde em muitos períodos com a cultura portuguesa e a história do País, como foi em muitas ocasiões um veículo de modernidade e inovação e como se compromete em assim continuar a ser no futuro próximo.

O nosso arquivo é um mundo extraordinário, repleto de acontecimentos e de peças fantásticas pelo seu valor, sobretudo identitário. Por aqui passaram Eça de Queirós, esse grande explicador da idiossincrasia nacional, que com Ramalho Ortigão escreveu nas nossas páginas o Mistério da Estrada de Sintra; Almada Negreiros, que nos deixou painéis notáveis neste edifício-sede que é Prémio Valmor; Rafael Bordalo Pinheiro, que na sua multifacetada carreira não se resume apenas à mais conhecida dimensão de artista cerâmico; Stuart Carvalhais, ilustrador de requintada qualidade e, mais recentemente, José Saramago, ex-diretor adjunto do DN, Prémio Nobel da Literatura.

Do ponto de vista jornalístico temos trabalhos excecionais, assinados por homens e mulheres de grande qualidade. Entrevistas e reportagens originais produzidas não só em Portugal como um pouco por todo o mundo, cumprindo um papel importante numa sociedade diferente da atual, globalizada e com um acesso democratizado à informação, sobretudo depois do advento das redes sociais, outro dos campos em que o DN pretende reforçar o seu papel.

É esse arquivo que, em iniciativas várias, vamos abrir à curiosidade dos nossos leitores, seja em exposições seja em iniciativas editoriais, seja em publicações especiais seja nas edições normais diárias de papel e digital.

Da edição de hoje podemos dizer que demorou 150 anos a ser realizada. É uma seleção de 150 notícias publicadas pelo DN desde 29 de dezembro de 1864. As “mais importantes”, tanto quanto isso pode ser dito. Ao lê-las, enquadradas à distância, percebe-se bem como o mundo evoluiu – e mudou – neste século e meio. Entre duas Guerras Mundiais e as mudanças e consequência da globalização e da revolução tecnológica, não faltam histórias grandes e pequenas para recordar e entender. Algumas destas desenvolvemo-las mais no seu preciso momento, como o assassínio de D. Carlos (dois anos depois dava-se a implantação da República), a ida do homem à Lua ou o incêndio do Chiado, em Lisboa. Outras, o jornal assinalou-as na devida altura, mas só pressentindo a importância, e com pequenos textos, como o primeiro filme exibido em Portugal ou a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna ou até mesmo a Guerra Civil Espanhola, antecipada em três linhas que questionavam o facto de não existirem comunicações entre os dois países.

Para que o leitor fique ainda mais ciente do que de mais importante aconteceu ao longo dos últimos 150 anos de vida do DN, pedimos a 15 personalidades do mundo português, historiadores mas não apenas, que analisassem os 15 acontecimentos mais marcantes: resultaram daí 15 ensaios a não perder: A abolição da pena de morte em Portugal, por António Costa Pinto; O Ultimato inglês, por Teresa Pinto-Coelho; O assassínio de D. Carlos e a implantação da República, por António Ventura; A I Guerra Mundial, por Filipe Ribeiro de Meneses; A travessia aérea do Atlântico de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, por José Adelino Maltez; O golpe de 28 de maio e a ascensão de Salazar, por Irene Flunser Pimentel; O lançamento das duas bombas atómicas, que terminaram a II Guerra Mundial iniciada com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, por Manuel Loff; O início da guerra colonial portuguesa, por Valentim Alexandre; O homem na Lua, por João Medina; A Revolução de 25 de Abril de 1974, por Maria Inácia Rezola; A adesão à CEE, por Rui Tavares; A queda do Muro de Berlim, por Jaime Nogueira Pinto; O fim do apartheid, por Adriano Moreira; O nascimento da internet, por Raquel Varela; O 11 de Setembro, por Luís Nuno Rodrigues. Toda a edição é enriquecida com imagens e ilustrações do nosso arquivo e também com as capas e as páginas do DN onde as respetivas notícias surgiram.

Este é o primeiro passo de 300 dias de muitas novidades, as maiores das quais serão viradas para o futuro e que iremos levando até aos nossos leitores a seu tempo, em todas as plataformas. Faz parte da ambição deste projeto coletivo, que é de toda a empresa – da administração à redação, do comercial ao marketing, dos recursos humanos à área financeira -, modernizarmos as ferramentas de trabalho diário e a forma de interagirmos com os consumidores da nossa marca, sobretudo no meio digital e das redes sociais, sem esquecer o papel de jornal no qual nasceu o histórico Diário de Notícias. A seu tempo daremos conta das novidades.

JOÃO MARCELINO

Diretor

Sem comentários

  1. Ana Silva

    Uma vez que estão a comemorar os 150 do jornal, sugiro que todos dias seja publicada uma foto de todos trabalhadores (identificados) que fizeram parte do mesmo até aos dias de hoje porque existem pessoas idosas que iriam apreciar e talvez recordar certos rostos e certas histórias passadas publicadas ou “acontecidas”.

Deixe o seu comentário