150 anos comemorados ao longo de 300 dias

O Diário de Notícias celebra a 29 de dezembro 150 anos, sendo um dos jornais mais antigos do mundo  em atividade. Hoje, 150 dias antes da data de aniversário, arrancamos com as celebrações que só terminam no fim de maio de 2015. Nos primeiros três meses evocaremos a história do DN, pela marca inovadora que deixou no País. Nos últimos três projetaremos o futuro, antecipando-o. Como o jornal sempre fez desde a sua fundação, em1864

Veja aqui todo o programa das comemorações

Nova imagem“150 anos a antecipar o futuro.” A escolha desta frase-chave para o 150.º aniversário do Diário de Notícias não é pretensiosa nem sequer uma ideia de marketing pensada para melhor vender o produto. Quer dizer, também é, mas com toda a legitimidade. Desde o dia 29 de dezembro de 1864 que este jornal tem sabido ser inovador. E é isso que vai continuar a ser. E será esse o espírito com que vai festejar século e meio de vida, idade que o coloca entre os jornais mundiais mais antigos em circulação.

As comemorações dos 150 anos do DN arrancam oficialmente hoje, 150 dias antes do aniversário, e prolongar--se--ão até ao final de maio de 2015, 150 dias depois. Desde logo se destaca este número: 150. Será em redor dele e das várias desmultiplicações que permite que se desenvolverão produtos, eventos e ideias. A começar por esta edição especial, em que foram selecionadas 150 notícias entre as mais importantes dos últimos 150 anos.

Até 28 de dezembro, nos próximos três meses, evocaremos a história, rica, do jornal. No dia dos 150 anos, a 29, celebraremos com uma gala e uma edição especial de aniversário para colecionador. A partir do dia 30 de dezembro e até ao final de maio de 2015 será tempo de projetar o futuro.

A partir de amanhã, diariamente, poderá ler 150 grandes coberturas dos grandes eventos mundiais feitas pelo jornal, devidamente enquadradas historicamente. Desde a recente eleição do primeiro presidente negro dos EUA às mais longínquas, como a entrevista a Hitler (antes da sua ascensão a Führer) ou ao Papa. E ficará ainda a conhecer as histórias de 150 empresas portuguesas que nasceram no mesmo século do DN… ou até antes.

Será também o período em que serão tornados públicos os 150 nomes da sociedade portuguesa que farão parte da Comissão de Honra dos 150 anos. E se assinarão protocolos e parcerias, institucionais e comerciais, de todo o projeto dos seis meses de comemorações.

Uma coleção de dez revistas, com grande produção fotográfica, será publicada entre 25 de outubro e 27 de dezembro. Cada revista reunirá as 15 figuras em atividade que mais se destacam em dez setores diferentes e retratará, com entrevistas, dossiês e fotos emblemáticas do Arquivo DN, o setor em causa.

Até final do ano poderá ainda ser visitada, nas ruas de Lisboa, uma exposição evocativa, em fotos, de grandes momentos vividos pelo jornal.

E chegará o dia dos 150 anos, 29 de dezembro. A data será comemorada com a devida pompa. Uma gala de luxo e uma edição especial para guardar.

A partir daí e até final de maio de 2015 serão três meses a projetar o futuro. Quatro conferências, em parceria com as principais instituições nacionais, e uma grande conferência final, que reunirá as melhores ideias em várias áreas para o futuro do País, irão ocorrer de janeiro a abril.

Durante este período organizaremos uma exposição que nos transportará da história para o presente e para o futuro da arte nacional. Começando com Rafael Bordalo Pinheiro – no DN quase desde o primeiro número, como jornalista e ilustrador, sem esquecer outros grandes vultos da cultura associados ao jornal, como Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Almada Negreiros, Pardal Monteiro ou José Saramago  – e terminando com a artista portuguesa mais internacional da atualidade Joana Vasconcelos.

E as comemorações não poderiam terminar sem que o 150.º aniversário ficasse para a posteridade na memória de todos. Um grande evento, ao longo de toda a Avenida da Liberdade – local da sede do DN -, com 150 iniciativas marcantes, encerrará as celebrações.

O que se segue é dar continuidade à imagem de marca do jornal. Antecipar o futuro em todas as plataformas que esse futuro coloque à disposição do DN. E não parando de inovar.

O que iremos comemorar ao longo destes 300 dias é pois um tributo à forma como o DN se posicionou, desde a sua fundação por Eduardo Coelho e Tomás Quintino, na sociedade portuguesa. Inovando. E não faltam exemplos que o comprovam.

No dia em que o DN nasceu, nasceu também uma nova profissão em Portugal, a de ardina, os pequenos vendedores de jornais que corriam pelas ruas a distribuí-los. Mas foi também no DN que se desenvolveram as reportagens enquanto género jornalístico, tirando os repórteres das secretárias e levando-os para a rua ao encontro das notícias. Outra novidade introduzida pelo DN, em Portugal, foi a implementação de um sistema organizado de recolha de informação para o noticiário, através de uma rede de informadores. E foi também o DN que tornou corrente o uso de pequenos anúncios comerciais.

Mas há outros dados curiosos. Desde as novas tecnologias, em que o DN esteve sempre na vanguarda, passando por episódios  que marcam a história do jornal. Foi através do DN, por exemplo, que se assistiu às primeiras transmissões online de futebol, que juntavam na Praça do Comércio, em Lisboa, milhares de pessoas para seguir num ecrã o evoluir de uma marca vermelha de um lado para o outro. Era a bola que alguém movia de acordo com o relato radiofónico.

Mas o DN tem também uma longa história de ligação às artes. Pelo DN passaram grandes vultos da cultura portuguesa. Desde logo Rafael Bordalo Pinheiro, amigo de um dos fundadores, Eduardo Coelho, que assinou reportagens e ilustrou páginas. Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, que publicaram nas páginas do jornal a novela O Mistério da Estrada de Sintra (mais tarde livro e filme). Eça de Queirós, que foi até o enviado do DN à inauguração do canal de Suez. No jornal escreveu também o rei D. Carlos. Foi diretor adjunto o nobel José Saramago. E fizeram as suas primeiras publicações nomes da literatura atual, como Gonçalo M. Tavares.

O próprio edifício do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, é também ele uma obra de arte: o projeto, galardoado com o Prémio Valmor, é da autoria do arquiteto Pardal Monteiro. E Almada Negreiros criou especialmente três frescos, alegóricos do mundo, do País e da vida dos jornais, que decoram a entrada e a galeria.

O DN teve ainda um importante papel social. Criou a peregrinação patriótica, através da qual, de comboio, se levava conhecimento e cultura às populações. Ajudou a reconstruir Benavente após o sismo e Espinho depois do ciclone, terras que ainda hoje têm bairros com o nome do jornal. Angariou fundos para que a estátua do Marquês pudesse ser acabada. E ajudou a financiar a travessia aérea feita por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

São estas histórias e muito mais que fazem a história do DN. E é a partir delas que projetamos o futuro. Que já começou.

FILOMENA MARTINS

Diretora-adjunta do DN

Sem comentários

  1. José Duarte Silva Ranhel

    Não é para comentar é mais para ser esclarecido.
    Neste últimos dias não tem sido publicado a rubrica “Os dias em que o DN contou”, nem as 150 empresas mais antigas, isso há mais tempo.
    Compro e leio o DN todos os dias e não descubro nada sobre estas rubricas, interessantes, para guardar como recordação, visto ser um leitor com mais de quarenta anos.
    Desde já agradeço um eventual esclarecimento.
    José Ranhel

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