Livravia Lello: Catedral dos livros que inspirou Harry Potter

150 EMPRESAS QUE NASCERAM NO SÉCULO DO DN… OU ATÉ ANTES: Acumula distinções internacionais ano após ano e em Portugal só o Castelo de São Jorge recebe mais turistas.A Livraria lello, reconhecida como a mais bela do mundo, esteve em risco de fechar portas há 20 anos,mas hoje dispõe de mais de 120 mil livros e já foi distinguida como Monumento de Interesse Público.

Uma livraria capaz de “vender” com as prateleiras vazias. É considerada uma das mais belas do mundo erecebe, em média, quase três milvisitas diárias, o que torna a Livraria Lello – Prólogo Livreiros, S.A. no segundo local mais procurado pelos turistas em Portugal, só superado pelo Castelo de São Jorge.

As origens remontam a 1869, mas foi em 1906 que foi inaugurado o novo edifício que, desde então, acolhe a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas, n.º 144, no Porto. A 13 de janeiro, a abertura do projeto do engenheiro Francisco Xa-vier Esteves foi um evento de enorme impacto cultural na cidade do Porto - tão impactante que ainda hoje se prolonga por todo o mundo

As origens remontam a 1869, mas foi em 1906 que foi inaugurado o novo edifício que, desde então, acolhe a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas, n.º 144, no Porto. A 13 de janeiro, a abertura do projeto do engenheiro Francisco Xa-vier Esteves foi um evento de enorme impacto cultural na cidade do Porto – tão impactante que ainda hoje se prolonga por todo o mundo

A CNN considerou-a, em agosto, a livraria “mais bonita e cool” do mundo, o The Guardian e a Lonely Planet destacaram-na como a terceira mais bela do planeta e o Trip Advisor atribuiu-lhe o certificado de excelência. Os elogios acumulam-se, mas há 20 anos a livraria portuense, que resiste como sendo uma das poucas independentes no País, estava em falência técnica e em riscos de fechar.

Antero Braga tem hoje em mãos um negócio que, no último ano, rendeu uma faturação de 1,2 milhões de euros e que perspetiva um crescimento de 18% até ao final do ano. A poucos meses de completar 65 anos, o “Livreiro da Esperança de 2014” continua sem saber o que é trabalhar. “Eu não trabalho, eu faço o que gosto. E veja lá que ainda me pagam”, explica.

No momento em que a equipa de reportagem do DN entrou no emblemático edifício da Rua das Carmelitas, na freguesia da Vitória, no Porto, após contornar as filas de turistas asiáticos que se iam acumulando à entrada, Antero Braga confundia-se com mais um funcionário da livraria: estava na caixa, em atendimento ao público, em conversa com um turista espanhol. O cliente desejava um livro que não se encontrava entre os 120 mil de que a Lello dispõe, mas o proprietário disponibilizou-se a encontrá-lo.

As origens remontam a 1869, mas foi em 1906 que foi inaugurado o novo edifício que, desde então, acolhe a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas, n.º 144, no Porto. A 13 de janeiro, a abertura do projeto do engenheiro Francisco Xa-vier Esteves foi um evento de enorme impacto cultural na cidade do Porto - tão impactante que ainda hoje se prolonga por todo o mundo

As origens remontam a 1869, mas foi em 1906 que foi inaugurado o novo edifício que, desde então, acolhe a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas, n.º 144, no Porto. A 13 de janeiro, a abertura do projeto do engenheiro Francisco Xa-vier Esteves foi um evento de enorme impacto cultural na cidade do Porto – tão impactante que ainda hoje se prolonga por todo o mundo

“Aqui não existe o ‘não temos o livro’. Podemos não ter no momento, mas se não temos, tentamos arranjar”, diz Antero Braga, que já dedicou mais de 45 anos aos livros. Perspetivava ser contabilista numa empresa de seguros, mas “por ocasião e não por vocação” foi parar à Bertrand, onde foi “o gerente mais novo, o diretor comercial mais novo e o administrador mais novo” da empresa. Há 20 anos, quando tomou conta da Lello, acusaram-no de estar a cometer “uma loucura”, numa altura em que a livraria “estava em decadência e se dedicava essencialmente à atividade de editora”.

Fundada em 1869, teve o nome do francês Ernest Chardron, que publicou grande parte da obrade Camilo Castelo Branco. Apóso falecimento do fundador, aos45 anos, passou por vários donos até chegar à família Lello, em 1894. A 13 de janeiro de 1906, a livraria abriu portas como é hoje, um ex-líbris da Invicta, com uma emblemática fachada neogótica, um local que milhares de turistas visitam não apenas na procura de livros mas para contemplar o monumento classificado de interesse público pela Secretaria do Estado da Cultura, em 2013.

Centenas de adolescentes “dos quatro cantos do mundo” visitam a livraria todos os anos não à procura de um livro, mas por causa da saga Harry Potter. J. K. Rowling,a autora da história de feiticeiros mais célebre do mundo, viveuna cidade de Gaia e era clienteda Livraria Lello. A escadaria quedescreveu na escola fictícia de Hogwarts foi inspirada na que se encontra na Lello, mas ao contrário da crença de alguns fãs nenhuma cena foi filmada na livraria.

O espaço, curiosamente, é mais procurado por estrangeiros do que por portugueses. “É algo já cultural. Os portugueses deviam ter mais orgulho no que é nosso! Temos de valorizar o que é nosso e nada tem mais valor do que a cultura. Todos os grandes países, os países ricos – e a riqueza não é apenas dinheiro e o negócio -, se distinguem pelo grande património cultural”, diz Antero Braga, que não hesita em explicar a receita para o sucesso.

“É simples: desconfiar de nós todos os dias! Para se triunfar na vida, é preciso consistência e persistência”, vincou, ele que prevê que o negócio vá continuar a crescer nos próximos anos, mesmo sem contar com o mercado dos livros escolares e com a crescente produção de livros/obras digitais.

“Os e-books não são concorrentes, são complementos. Não são concorrentes porque não vão substituir os livros. Os livros vão sempre existir. Há uma relação íntima entre o leitor e o livro, que vai sempre ser procurado”, apontou.

JOÃO RUELA

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