ACH BRITO: Fragrâncias que foram resistindo à história

150 EMPRESAS QUE NASCERAM NO SÉCULO DO DN… OU ATÉ ANTES: A Ach brito, empresa dedicada à produção de sabonetes e afins, originária do Porto mas atualmente instalada em Vila do Conde, foi ao seu passado buscar os alicerces para a sua afirmação e projeção, conseguindo manter-se na mesma família durante quatro gerações consecutivas e sobrevivendo às vicissitudes históricas dos últimos cem anos.

Com mais de um século de experiência na produção de fragrâncias, sabonetes e produtos de beleza que fazem parte da memória de várias gerações, a Ach Brito é um perfeito exemplo de que no atual mundo global o sucesso empresarial não é apenas mensurável pelos níveis de tecnologia e inovação aplicados nos modelos de negócio.

Nesta empresa familiar, fundada em 1918, mas já com raízes em 1887, a história, a experiência e a perseverança assumem-se como um dos principais trunfos para que a Ach Brito tenha sobrevivido todos estes anos e esteja, atualmente, numa rota de crescimento nacional e internacional que lhe augura um futuro perfumado.

O portuense Achilles de Brito, que juntamente com o seu irmão Affonso fundou a companhia, estaria longe de imaginar que em pleno século XXI os seus bisnetos, Aquiles Filipe e Sónia, iriam usar o seu legado para afirmar a empresa como uma referência mundial na arte de fazer sabonetes e seus derivados, que hoje podem ser adquiridos em lojas de 50 países.

Aposta Aquiles Brito é desde 1994 o responsável da empresa, na qual assumiu funções quando tinha apenas 22 anos. Com essa idade deixou de estudar para se empenhar a cem por cento no negócio da família conseguindo, com a sua irmã Sónia Brito, inverter a complicada situação que a empresa atravessava, relançando-a tanto no mercado nacional como internacional.

Aposta Aquiles Brito é desde 1994 o responsável da empresa, na qual assumiu funções quando tinha apenas 22 anos. Com essa idade deixou de estudar para se empenhar a cem por cento no negócio da família conseguindo, com a sua irmã Sónia Brito, inverter a complicada situação que a empresa atravessava, relançando-a tanto no mercado nacional como internacional.

Com maior ou menor dificuldade, a empresa resistiu às contingências de duas guerras mundiais, à instabilidade do País no pós-25 de Abril, e às “garras” da economia de mercado, conseguindo, em 2005, inverter uma espiral negativa que vinha ameaçando a sua existência para se redimensionar e procurar “dentro de casa” a chave do sucesso.

“A história é o maior ativo e riqueza desta empresa. Foi através do know how das gerações anteriores e do imenso arquivo que nos deixaram que conseguimos, hoje, elaborar um produto moderno mas ao mesmo tempo com a beleza e o pedigree que só o passado nos podia conferir”, partilhou ao DN Aquiles Brito, atual proprietário da empresa e representante da quarta geração da família.

Curiosamente, a Ach Brito acaba por ser mais jovem do que duas empresas que, em períodos distintos, contribuíram para o seu sucesso. Em 1925, o fundador Achilles Brito adquiriu a massa falida da empresa Claus & Schweder, fundada por dois alemães em 1887, onde desde jovem começou a trabalhar, numa decisão que se revelou fundamental para o desenvolvimento da firma.

Mais tarde, e já na vigência do bisneto, em 2007, a empresa adquiriu a Saboaria e Perfumaria Confiança, de Braga, uma das mais antigas fábricas do ramo na Península Ibérica (fundada em 1894) , mas mantendo a sua identidade.

Todo o acervo histórico e experiência que a Ach Brito reúne tem servido como fator-chave para a afirmação internacional das suas marcas: “Muitos dos nossos clientes além de se interessarem pela qualidade dos nossos produtos valorizam muito o passado que temos. Consideram que se fazemos sabonetes, ininterruptamente, há cem anos é porque sabemos fazê-los bem”, vincou Aquiles Brito.

No entanto, nem sempre a história e o passado “trataram” bem a Ach Brito, que no período da Revolução de Abril viveu dias complicados. “A seguir à revolução houve tentativas, por parte de colaboradores, de tomarem conta da empresa. O meu avô [Achilles Brito, filho do fundador] assustou-se e desmotivou-se, e não conseguiu adaptar a empresa aos novos desafios”, lembrou o atual proprietário, apontando que a empresa perdeu, então, o mercado das ex-colónias, que representava um terço da sua faturação, e passou por momentos complicados, pois mantinha uma estrutura de mais de 400 trabalhadores.

Sem encontrar um rumo estável, a empresa teve, entre 1980 e 1990, a sua viabilidade ameaçada, até esta nova geração da família assumir as rédeas do negócio e traçar um novo caminho: “Temos muito que trabalhar, mas também podemos crescer muito, sobretudo a nível internacional. Com 47 anos ainda estou longe dos objetivos de evolução que tenho em mente para a Ach Brito”, confessou o empresário, que em 2011 conseguiu ser a primeira marca portuguesa a ser promovida no programa da televisão norte-americano de Oprah Winfrey, visto por milhões de pessoas em todo mundo, onde foram mostrados “sabonetes feitos em Portugal há mais de 117 anos”.

JOSÉ PEDRO GOMES

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