Licor Beirão: ‘O LICOR DE PORTUGAL’ AINDA É UM SEGREDO FAMILIAR

150 EMPRESAS QUE NASCERAM NO SÉCULO DO DN…OU ANTES. José Carranca Redondo foi um dos pioneiros da publicidade em Portugal e, à boleia dos seus filhos e netos, o Licor BEIRÃO tornou-se uma das bebidas mais famosas do País. As três gerações deram uma nova vida ao produto criado, nos finais do século XIX, por um vendedor de vinho do Porto que se apaixonara pela Lousã e por uma rapariga local…

José Carranca Redondo era um rapaz de 24 anos quando, em 1940, investiu todas as poupanças para comprar uma “fabriqueta” de bebidas (e ainda pediu dinheiro emprestado para fazer publicidade). Duas décadas depois, o filho inventou o slogan perfeito – “O licor de Portugal” – e viu o negócio crescer. Na viragem do milénio, os netos devolveram a marca à juventude (à boleia dos cocktails caipirão e morangão). Já adivinhou do que se fala aqui? Sim, do Licor Beirão, uma história familiar.

Dos anos 40 do século XX, quando José Carranca Redondo (à esquerda, no seu escritório, em 1944) tomou conta da empresa-mãe do Licor Beirão, até à atualidade o número de trabalhadores aumentou de oito para 73.

Dos anos 40 do século XX, quando José Carranca Redondo (à esquerda, no seu escritório, em 1944) tomou conta da empresa-mãe do Licor Beirão, até à atualidade o número de trabalhadores aumentou de oito para 73.

Na verdade, o famoso licor da Lousã já existia desde finais do século XIX. A produção foi iniciada em 1893 (ou 1894, não há certezas) por um antigo vendedor de vinho do Porto que se apaixonara pela vila beirã e pela filha de um farmacêutico local. Mas foi a passagem para as mãos de Carranca Redondo, em 1940, que lhe deu a fama que hoje se conhece.

“Foi a força do meu pai, um homem de uma visão extraordinária,  que trouxe o Licor Beirão até aqui”, diz o filho, José Redondo, sócio-gerente da empresa. Carranca Redondo (falecido em 2005) era polivalente: a par das bebidas, “teve negócios de brinquedos, publicidade, outdoors, material de merchandising e sinalização rodoviária”, recorda o filho. E soube apostar na promoção da marca como poucos o faziam na altura. Espalhou cartazes pela berma das estradas de todo o País – que lhe custaram 93 idas a tribunal (“perdeu a primeira… quando foi defendido por um advogado; depois, fez a sua própria defesa e levou sempre a melhor”). E criou campanhas irreverentes  que ficaram na retina de toda a gente: da imagem de uma pin-up semidespida abraçada a uma garrafa de licor ao irónico slogan dos tempos do Estado Novo: “Licor Beirão, o beirão de quem se gosta” (conta-se que o beirão Salazar sorriu, em surdina, ante a ousadia do empresário lousanense).

“O Licor de Portugal”, outro lema histórico, foi ideia de José Redondo,  ainda a tese “compre o que é nosso” estava longe de ser um desígnio nacional. O atual sócio-gerente, de 73 anos, é outro inovador – até inventou as camisolas justas agora utilizadas no râguebi, outra das suas paixões. E sempre foi o braço direito do pai na J. Carranca Redondo Lda. “Desde os 10 anos, todos os meus tempos livres no liceu e na universidade eram passados aqui.” Lembra-se tão bem dos tempos em que o Beirão ainda era um produto de nicho – controlado pela mãe Maria José, enquanto o pai temia que “os licores não tivessem futuro porque não vendiam” – como do salto que deu a partir dos anos 80, levando a J. Carranca a deixar cair os seus outros negócios. “A partir daí, quando começaram a aparecer as grandes superfícies e nos associámos a grandes distribuidoras, é que começou a crescer gradualmente e chegou ao milhão de garrafas vendidas por ano”, lembra José Redondo. Agora, a empresa controla tudo: a distribuição está a seu cargo e parte das plantas e sementes aromáticas utilizadas no fabrico do licor crescem na Quinta do Meiral (os 12 hectares às portas da vila da Lousã onde está sediada a empresa) – os restantes ingredientes são importados de locais tão distantes como Índia, Sri Lanka, Brasil e Turquia, entre outros. E até a receita continua a ser um segredo de família só conhecido por José Redondo e um dos filhos.

Mas ao leme mantém-se a família de sempre e José Redondo, filho do fundador, já é coadjuvado pelos descendentes Daniel e Ricardo.

Mas ao leme mantém-se a família de sempre e José Redondo, filho do fundador, já é coadjuvado pelos descendentes Daniel e Ricardo.

De resto, Daniel e Ricardo, dois dos quatro descendentes de José Redondo, trabalham na empresa e têm ajudado ao rejuvenescimento da marca. “Inventaram-se cocktails como o caipirão e o morangão e começou a levar-se a marca para as festas de estudantes e outros grandes eventos. E, graças a isso, conseguimos cativar uma classe mais jovem. É o fruto da nova geração”, descreve José Redondo.

A família vai-se integrando aos poucos no dia-a-dia da empresa. “Os meus netos vêm para aqui muito, mas têm de se integrar lentamente na brincadeira. Estou a fazer com eles aquilo que o meu pai fez comigo e que eu fiz com os meus filhos”, conta José Redondo. Por isso a “ligação familiar é tão forte” e é para manter, diz José Redondo: “Há tempos perguntavam-me se não pensava vender… Penso tanto nisso como em vender um filho.”

RUI MARQUES SIMÕES

 

Sem comentários

  1. Maria da Paz Pinto

    Boa noite, achei bacana a reportagem, o Licor… deu água na boca. Mas visitando essa página, pensei em enviar esta mensagem, pois estou atrás de informações da família dos “Redondos” que vieram para o Brasil.

    Meu nome é Maria da Paz Pinto, moro no Distrito de Alto Maranhão, município, cuja sede, é em Congonhas do Campo, MG – Brasil.

    Alto Maranhão é um os mais antigos arraiais de Minas Gerais, tendo sido um dos primeiros marcos do Caminho Velho que vai de Ouro Preto(antiga Capital da Província) a Parati. A primeira descrição detalhada do caminho do Ouro, mais tarde de Caminho Velho, registra o Arraial de Redondo, após o de Camapuã e, antes de Congonhas…

    Através de relatos, conta-se sobre a história de José Redondo e Antônio Redondo, portugueses que se instalaram, nessa localidade, cultivando lavoura de café… (por volta dos anos 1730….)

    Nossa padroeira é “NOSSA SENHORA DA AJUDA”, nome contemplado por eles, dizendo pedir ajuda à Nossa Senhora, para sucesso na lavoura.

    Estou escrevendo um livro sobre como surgiu isso aqui, já coletei alguns dados sobre essa história, mas não o suficiente para registro oficial.

    Caso saibam de alguma informação ou como adquiri-las favor entrar em contato comigo.
    Aguardo,

    Att,

    Maria da Paz – Tel.: (31) 3733-2319

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