Açoreana Seguros: Beneficiados pela I Guerra Mundial

Fundada, contam os relatos, num sábado de muito sol em Ponta Delgada, a Açoreana Seguros nasceu em 1892, ou seja há 122 anos.

A iniciativa acabou por ser singular na altura. Um grupo de açorianos, entusiasmados com o desenvolvimento económico do arquipélago, decidiu constituir uma companhia de seguros com capitais exclusivamente açorianos. Foram 367 os que conseguiram subscrever as dez mil ações de 100 mil réis insulanos, excedendo expectativas e causando amargos de boca aos que tentaram mas não conseguiram entrar para o capital social de mil contos.

A sede original no Largo da Matriz em Ponta Delgada, adquirida em 1926 por 60 contos

A sede original no Largo da Matriz em Ponta Delgada, adquirida em 1926 por 60 contos

Absolutamente fulcral neste movimento foi o Conde de Albuquerque, eleito presidente da direção da seguradora, cargo onde se manteve durante 34 anos. Aqui importa falar um bocadinho de Duarte de Andrade Albuquerque Bettencourt, ou seja o Conde de Albuquerque, uma personalidade venerada em Ponta Delgada pela sua ação política no Partido Regenerador e também como membro da Comissão Autonómica da capital açoriana. O título nobiliárquico foi-lhe concedido em vida a 22 de abril de 1909 por D. Manuel II.

Inicialmente, a Açoreana efetuava unicamente seguros terrestres e marítimos. No seu primeiro ano de atividade assegurou logo 1548 apólices e para isso muito contribuiu a sedução que o Conde Albuquerque fez junto de João Melo Abreu, um agente que estava ligado à Bonança e que foi preponderante para o êxito inicial da Açoreana.
A I Grande Guerra seria, por incrível que pareça, benéfica à Açoreana, pois a economia local floresceu e os preços, consequentemente, também. Bem gerida, a seguradora viu a concorrência entrar em liquidação para, em simultâneo, aproveitar as oportunidades de negócio e dando gás à sua agência em Lisboa onde o volume financeiro ultrapassou o dos Açores.

O final da Guerra foi um bem para os que queriam a paz e um problema para a Açoreana que viu a sua carteira reduzida a metade.

O Conde de Albuquerque sai em 1926 e três anos mais tarde a sede, no Largo da Matriz, em Ponta Delgada, é comprada pelo enorme montante de 60 contos.

Até 1940 a Açoreana aguentou-se com alguns reveses pelo caminho, mas voltou a mostrar a sua vitalidade ao registar um aumento significativo do seu volume de negócios entre 1940 e 1943, devido ao crescimento de seguros no ramo marítimo.

O 25 de abril não foi amigo da seguradora, a companhia foi nacionalizada, continuou a operar apenas nos Açores e no continente a sua carteira foi integrada na Império.

A atual sede em Lisboa na Avenida Duque de Ávila onde a seguradora começou a operar na capital depois de integrar a Global em 2010

A atual sede em Lisboa na Avenida Duque de Ávila onde a seguradora começou a operar na capital depois de integrar a Global em 2010

Em 1988 a Açoreana regressa a Portugal continental. Primeiro Lisboa, depois Porto, Braga e Setúbal – num processo culminado em 1993.

Mas a grande mudança recente da Açoreana deu-se em 1996 quando a seguradora foi integrada no grupo Banif, tornando-se ainda mais visível no mercado, através da expansão da rede de sucursais, e alterando a sua imagem. Isso levou-a a adquirir a Oceânica, em 1997, e, em 2000, o Trabalho. Finalmente em 2010, a Global foi comprada numa decisão pessoal do falecido Horácio Roque, passando a Açoreana a estar sediada em Lisboa no edifício que era da Global.

Depois desta última operação, a seguradora fundada há 122 anos, chegou a ter 800 colaboradores, mas perto de uma centena foi estimulada a aderir ao um processo de rescisões por mútuo acordo. Atualmente tem 43 delegações e 4000 agentes.

A operar nos ramos vida e não vida a Açoreana está situada na 7.ª posição do ranking 2013 do Instituto Seguros de Portugal com uma quota de mercado de 3,10%. O seu capital com a fusão recente da Retinpar Seguros na Açoreana passou de 107,5 milhões de euros para 135,57 milhões de euros.

BRUNO PIRES

Deixe o seu comentário