Montepio: A associação mutualista que surgiu entre revoluções

Foi entre a Revolta dos Marechais e a Revolta de Costa Cabral que, em 1840, surgiu o Montepio dos Empregados Públicos, depois de Francisco Álvares Botelho, o seu fundador, ter visto recusado pela Assembleia Constituinte o nome de Plano do Montepio Literário.

Francisco Álvares Botelho, o fundador do Montepio, queria chamar-lhe Plano do Montepio Literário

Francisco Álvares Botelho, o fundador do Montepio, queria chamar-lhe Plano do Montepio Literário

“Foi assim que, na sequência do dito ‘plano’ e do significativo número de 270 assinaturas que o subscreveram, Álvares Botelho, aos 37 anos de idade, convocou a primeira reunião dos fundadores para 17 de março de 1840, às 11.00, na Academia das Belas Artes, a fim de nomearem a Comissão de Redação dos Estatutos. Ele próprio pagou do seu bolso o anúncio convocatório, publicado em três jornais lisboetas”, recorda ao DN Rita Pinho Branco, diretora de Comunicação e Marketing do Montepio.

O alvará de reconhecimento oficial foi assinado a 25 de agosto pela rainha D. Maria II.

A primeira “sede” funcionou em casa do presidente da direção, no número dois do Largo Barão de Quintela, em Lisboa. “Porém, ainda no mês de outubro de 1840, a instâncias do vogal da direção, o dr. António Dias Azevedo, junto dos poderes públicos, conseguiu-se, a título gracioso, a cedência de uma sala na Administração-Geral do Distrito de Lisboa (no edifício do atual Governo Civil), onde o escritório ficou provisoriamente instalado”, conta a diretora de Comunicação e Marketing. Hoje, a sede do Montepio está na Rua do Ouro, mesmo ao lado do Elevador de Santa Justa.

Os três primeiros anos de vida da instituição só trouxeram 37 novos sócios, por causa dos estatutos em vigor, que só permitiam a admissão de funcionários públicos. “Terá sido essa a razão, para, em 1844, ter sido adotada uma nova designação: Montepio Geral”, acrescentou a mesma responsável.

Foi também nesse ano de 1844 que foi criada a Caixa Económica Montepio Geral, uma entidade ligada ao Montepio Geral, e que ficou responsável pela atividade bancária.

A primeira “sede” da instituição funcionou em casa do presidente da direção, no número dois do Largo Barão de Quintela, em Lisboa. Mas logo em outubro de 1840 conseguiu-se, a título gracioso, uma sala na Administração-Geral do Distrito de Lisboa (no edifício do atual Governo Civil). Hoje, a sede do Montepio está na Rua do Ouro, mesmo ao lado do Elevador de Santa Justa

A primeira “sede” da instituição funcionou em casa do presidente da direção, no número dois do Largo Barão de Quintela, em Lisboa. Mas logo em outubro de 1840 conseguiu-se, a título gracioso, uma sala na Administração-Geral do Distrito de Lisboa (no edifício do atual Governo Civil). Hoje, a sede do Montepio está na Rua do Ouro, mesmo ao lado do Elevador de Santa Justa

Outro facto a marcar esse ano é a admissão do primeiro funcionário, Joaquim Guilherme da Costa Neves, que desempenhou as funções de contínuo, porteiro e cobrador. “Durante nove anos ele seria, de resto, o único funcionário do Montepio, cujo expediente, administração e demais trabalhos eram garantidos pelos membros dos Corpos Sociais e por alguns sócios que graciosamente colaboravam”, descreve a edição especial de outubro de 2010 do boletim interno da instituição.

Ao longo da sua história o Montepio Geral contou sempre com associados de renome, como os presidentes da República Sidónio Pais, Canto e Castro, Óscar Carmona, Américo Tomás, Costa Gomes e Ramalho Eanes. Rita Pinho Branco sublinha ainda ao DN que o segundo chefe do Estado português, Teófilo Braga, que sentia uma enorme simpatia pelo mutualismo, tornou-se associado em 1890. “Ele explicou que o sentimento mutualista nasceu logo ao entrar para a escola do ensino primário, onde o método que então se usava era o do ensino mútuo, isto é, os alunos mais adiantados ensinavam os que estavam mais atrasados”.

Entre os marcos relevantes da história do Montepio Geral estão a constituição, em 1986, da Lusitania – Companhia de Seguros, a criação da Fundação Montepio (1995) e a aquisição da Finibanco Holding em 2010. “O Montepio – Associação Mutualista é, hoje, a maior, além das mais antigas associações portuguesas. Pela sua dimensão associativa – reúne 650 mil associados – e financeira é uma das grandes mutualidades europeias e constitui a principal referência na aplicação do mutualismo no país”, explica a  diretora de Comunicação e Marketing. No primeiro semestre do ano, o Montepio teve lucros de 11,9 milhões de euros, que comparam com os prejuízos de 69,7 milhões de euros do mesmo período do ano passado.

ANA MEIRELES

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