Boa-Vista: Hotel centenário eternizado nas palavras de Camilo Castelo Branco

O Hotel Boa-Vista, na foz do Douro, construído na época em que se tornou moda ir a banhos à Foz, é há mais de 150 anos uma referência naquela zona. Ao longo dos anos tem vindo a adaptar-se às novas tendências e exigências do mercado, com renovações no espaço e ajuste de preços, conservando o ambiente familiar e acolhedor.

O Hotel Boa-Vista era o local de estadia por excelência quando começou a ser moda ir a banhos à Foz, em meados do século XIX

O Hotel Boa-Vista era o local de estadia por excelência quando começou a ser moda ir a banhos à Foz, em meados do século XIX

Foi mencionado na obra do escritor Camilo Castelo Branco e em mais de 150 anos de atividade ininterrupta recebeu aristocratas, chefes de estado, empresários e figuras públicas, assumindo-se como um dos mais prestigiados e emblemáticos hotéis da cidade do Porto e da região norte do país.

Localizado na zona nobre da Cidade Invicta, na Esplanada do Castelo, em frente ao Forte de São João da Foz, o Hotel Boa-Vista era o local de estadia por excelência quando começou a ser moda ir a banhos à Foz, em meados do século XIX. Por este estabelecimento, o mais antigo e único naquela zona, já passaram milhares de pessoas, com Camilo Castelo Branco a mencioná-lo num dos seus livros como o local onde, depois dos banhos no oceano, se ia comer.

Desde 1991, e depois de largas décadas na posse de uma família espanhola, o Hotel Boa-Vista é propriedade de António do Canto, empresário da Póvoa de Varzim com negócios no Brasil, que ampliou e remodelou o espaço, tornando-o no local de eleição para a estadia de vários empresários estrangeiros e elites, que apreciam a conjugação da história, a localização e qualidade de serviços.

Investimento vai permitir aproveitamento da cobertura do hotel durante todo o ano

Investimento vai permitir aproveitamento da cobertura do hotel durante todo o ano

Nessa altura, como contou José Mayan, gerente do empreendimento, o Norte vivia da indústria e “os quadros superiores das empresas recebiam muitos visitantes estrangeiros para as feiras empresariais e lotavam o hotel. Tínhamos dias contínuos completos”. O gerente revelou ainda que, apesar de terem encontrado o hotel com algumas lacunas na estrutura e a necessitar de profundas obras, “a localização era excelente, tínhamos uma boa carteira de clientes, era um hotel com história e tínhamos uma taxa de ocupação altíssima”.

Mantendo sempre o ambiente familiar, o hotel foi ao longo das décadas preservando os seus clientes e José Mayan revelou mesmo: “alguns, da Alemanha, Holanda, Suécia, Finlândia, deixavam ficar a mala com roupas para a próxima estadia”. Os empresários que ali pernoitavam sentiam-se de tal maneira “em casa” que nas férias, traziam a família para o hotel, para conhecer o Porto.

No entanto, no início do novo milénio, o número de feiras abrandou, assim como a economia, e o negócio também se alterou. Para manter a taxa de ocupação, o hotel teve de se adaptar, ajustando os preços e apostando na qualidade do serviço.

Atualmente, a unidade hoteleira dispõe, além dos 71 quartos, restaurante panorâmico, piscina, ginásio, garagem, centro de congressos e piscina exterior. A sua cobertura, para que seja utilizada durante todo o ano, aproveitando o sol de inverno no último piso do edifício e a vista para o mar, será o próximo investimento, depois de se terem renovado, nós últimos dois anos, os dois pisos de quartos, com a mudança de decoração, cortinas e colchas.

José Mayan partilhou ao DN que os clientes, sobretudo em época de crise, exigem mais. “Como há pouco dinheiro, quando se paga exige-se tudo o que se pode. De vez em quando solicitam descontos ou melhores condições. Nós tentamos responder aos pedidos, dentro do possível”. Para José Mayan, a primeira impressão é que fica, e além da história e tradição, o mais de um século de experiência no atendimento continua a ser uma referência e um fator de escolha para quem decide hospedar-se no hotel.

Com uma taxa de ocupação de cerca de 70 por cento ao longo de todo o ano, com um aumento nos três meses de verão, herdando o carácter de veraneio com que nasceu e de que há memória, as viagens a baixo custo, que trouxeram uma dinâmica reconhecida ao Norte do país, incrementaram ainda o número de turistas, mas José Mayan, há mais de 20 anos na hotelaria, sublinhou: “O Porto está na moda lá fora, está mencionado em todos os sítios e ainda bem. Sentimos bem isso. O low cost veio dar um incremento ao Porto. E aliando isso à nossa história torna-nos mais competitivos”.

Muito apreciado por empresários e estrangeiros, o Hotel Boa-Vista já acolheu nas suas instalações figuras como Mário Soares, António Correia e várias pessoas ligadas ao mundo mediático. Contudo, é com alguma tristeza que o gerente refere: “O português tem um pouco de complexo, porque temos apenas três estrelas. Os estrangeiros não ligam nada a isso, e até apreciam sermos um hotel com mais de 150 anos”.

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