Grupo Bensaúde confirma “compromisso com os Açores”

Bensaude é uma palavra que coincide, nas suas raízes mais profundas, com a vinda dos primeiros judeus para os Açores. Quase 200 anos depois é o maior grupo económico privado da Região Autónoma e mantém a sua matriz familiar, cimentada por atividades económicas repartidas por 26 empresas

Antiga sede da Bensaude em Ponta Delgada. A Família Bensaude iniciou a sua actividade comercial nos Açores, em 1820

Antiga sede da Bensaude em Ponta Delgada. A Família Bensaude iniciou a sua actividade comercial nos Açores, em 1820

Tem quase 200 anos de existência e é o maior grupo económico privado dos Açores. Falamos da Bensaude, que tem 26 empresas, dá emprego a mais de 2400 trabalhadores e gera um volume de negócios anual na ordem dos 450 milhões de euros. Mas não encara, por enquanto, a hipótese de avançar para novos investimentos. A prudência que marca o seu estilo de estar nos negócios leva a que o grupo tente primeiro consolidar os investimentos que fez recentemente nas áreas da hotelaria, distribuição e combustíveis, e só depois, se a conjuntura económica o permitir, pense noutros voos.

Apesar da pequenez, dispersão e distância que marcam as ilhas açorianas, a verdade é que a Região Autónoma, desde o 25 de Abril de 1974, está no cerne da atividade desenvolvida pela Bensaude, mais do que o Continente português. E assim continuará a ser. Até porque, como lembra o seu vice-presidente, António Castro Freire, o grupo está ligado a estas ilhas “histórica e sentimentalmente” e aqui assume as suas “grandes responsabilidades”. “A dimensão do nosso grupo é significativa para a própria sustentabilidade económica da região e obviamente temos também responsabilidades em termos institucionais e sociais a par das nossas preocupações enquanto gestores”, salienta.

Para contornar a atual conjuntura económica desfavorável, o grupo faz-se valer de princípios que lhe são muito familiares, “prudência e boa gestão”, como forma até de combater o fantasma dos despedimentos. “Naturalmente que não somos imunes à crise, fomos afetados como qualquer organização económica, nem que seja pela dependência grande que temos, enquanto grupo principalmente ligado ao setor dos serviços e também pelo facto de estarmos numa região em que há maiores desafios em nos virarmos para outros mercados, que é o que tem ajudado muitas das empresas portuguesas a sobreviver”, realça António Castro Freire. O facto é que, presentemente, a distribuição e o turismo estão entre os setores que preocupam mais a Bensaude devido à menor disponibilidade financeira das famílias que tem provocado uma retração no consumo.

Há 90 anos que a Mutualista Açoreana de Transportes Marítimos opera um serviço público de transporte marítimo de carga. Actualmente tem dois navios porta-contentores, ligando Lisboa e Leixões a todas as ilhas dos Açores. A empresa foi adquirida pelo Grupo Bensaude em 1950

Há 90 anos que a Mutualista Açoreana de Transportes Marítimos opera um serviço público de transporte marítimo de carga. Actualmente tem dois navios porta-contentores, ligando Lisboa e Leixões a todas as ilhas dos Açores. A empresa foi adquirida pelo Grupo Bensaude em 1950

O grupo é detido pela sétima geração da família Bensaude, que iniciou a sua atividade comercial nos Açores em 1820, então como exportador de cereais e laranjas e importador e distribuidor de têxteis originários do Reino Unido, levando à criação de um conjunto de empresas que mantiveram, desde aí e até aos nossos dias, a sua natureza familiar. Ao longo das décadas, a família Bensaude esteve ligada a projetos inovadores e a investimentos no campo financeiro e industrial que contribuíram, inclusive, para dar notoriedade externa aos Açores. Hoje em dia, essa matriz mantém-se com a existência de 26 empresas que operam em áreas de negócios tão diversas como a hotelaria, distribuição e comércio por grosso, até aos combustíveis, energia, ambiente, transportes e logística. Ficaram para a história as iniciativas da Bensaude ligadas à pesca do bacalhau, produção de tabaco e transporte marítimo – que se mantém como um dos seus setores de atividade, mas que foi iniciado quando os Açores ainda não dispunham de serviços de transporte aéreo.

A história da família Bensaude encontra as suas raízes profundas com a vinda dos primeiros judeus para os Açores. António Castro Freire salienta a “já longa história do grupo em termos regionais e até nacionais”, mas evidencia que a história mais recente, ocorrida ao longo dos últimos 15 anos, representa um período particularmente marcante através de “novos investimentos e aquisições que se traduziram num crescimento e diversificação do nosso portfólio de negócios”.

O grupo passou por um novo marco no ano passado com a reabilitação e adaptação do Terra Nostra Garden Hotel a um hotel de 4 estrelas na freguesia das Furnas, na ilha de São Miguel. Desde aí, a unidade hoteleira tem acumulado prémios de prestígio. O mais recente foi o de melhor hotel de 4 estrelas em Portugal nos Publituris Portugal Travel Awards, galardão que se junta a outros como o Portugal’s Leading Boutique Hotel atribuído pela World Travel Awards, os “Oscares” do Turismo; e o da Chave de Ouro, Prémio Boa Cama Boa Mesa atribuído pelo jornal Expresso. 2014 já foi mesmo considerado pelo grupo um ano “absolutamente memorável” para o Terra Nostra, que já opera há 80 anos, assim como para a Bensaude e para o próprio destino Açores.

Paulo Faustino

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