Como o vaivém Challenger se transformou numa bola de fogo

OS DIAS EM QUE O DN CONTOU: No dia 28 de janeiro de 1986, o mundo assistia à “Maior tragédia na conquista do espaço”. Apenas 75 segundos depois de ter descolado de Cabo Canaveral para a sua décima missão em torno da Terra, o vaivém espacial Challenger explodia sob o olhar incrédulo da multidão que assistia à sua partida na Florida e os muitos mais que viram as imagens pela televisão. Na capa do dia 29, ao lado da imagem da nave em chamas, uma fotografia de Christa McAuliffe, a professora primária selecionada entre milhares de candidatos para ir ao espaço, sorridente, minutos antes de embarcar para a morte.

“Tudo bem”, disseram os técnicos da NASA momentos após o lançamento do Challenger. Depois foi a tragédia. Os motores de propulsão e a própria nave transformavam-se numa bola de fogo. Construído em 1978, o vaivém realizara nove missões bem sucedida. A 10.ª terminou em tragédia, com a morte dos sete tripulantes.

“Tudo bem”, disseram os técnicos da NASA momentos após o lançamento do Challenger. Depois foi a tragédia. Os motores de propulsão e a própria nave transformavam-se numa bola de fogo. Construído em 1978, o vaivém realizara nove missões bem sucedida. A 10.ª terminou em tragédia, com a morte dos sete tripulantes.

“Foi tudo muito rápido e inexplicável, segundo as testemunhas paralisadas de pavor: uma enorme bola de fogo envolveu a nave e os foguetes de propulsão, sucedendo-se uma chuva de destroços que caíram no Atlântico, numa área de cerca de vinte quilómetros”, escrevia o DN na primeira página de 29 de janeiro de 1986. A “maior tragégia na conquista do espaço”, como lhe chamava o jornal na  manchete deixara a América e o mundo em choque na véspera.

A explosão do vaivém Challenger, que ficou em chamas apenas 75 segundos depois de ter descolado de Cabo Canaveral na Florida, provocou a morte imediata dos sete tripulantes. A bordo encontrava-se Christa McAuliffe, uma professora primária que “ganhara, entre 11 mil candidatas, o concurso para dar uma aula no espaço” e cujo sorriso, minutos antes de embarcar na nave espacial, ilustra a primeira página do DN desse dia, ao lado de uma imagem do vaivém a arder.

Nas páginas interiores, o DN conta como “os americanos viram a morte em direto”, depois de 24 missões do vaivém Challenger terem “banalizado a aventura espacial e iludido os riscos” que esta representa. “Ontem foi diferente. O olhar distraído e vago que se deita ao pequeno écran foi substituído pela incredulidade primeiro, pela emoção depois”, escrevia Melo e Silva, o correspondente do DN em Washington. E prossegue: “A Challenger levantou, ganhou velocidade. A voz off do repórter acabava de dizer ‘tudo normal até agora’, em fundo a ordem nasalada na NASA ‘Challenger throttle up’ (‘Challenger acelerar a fundo’) e então a explosão: uma bola de fogo imensa na atmosfera, percebe-se que a nave se divide em duas e se despenha sobre o Atlântico”.

Escolhida entre 11 candidatos para ser a primeira civil americana a ir ao espaço, Christa McAuliffe sonhava com a hipótese de ir dar uma aula a bordo do vaivém Challenger. Professora numa escola de Concord, New Hampshire, esta mãe de dois filhos pequenos foi um dos sete tripulantes mortos na explosão da nave a 28 de janeiro de 1986.

Escolhida entre 11 candidatos para ser a primeira civil americana a ir ao espaço, Christa McAuliffe sonhava com a hipótese de ir dar uma aula a bordo do vaivém Challenger. Professora numa escola de Concord, New Hampshire, esta mãe de dois filhos pequenos foi um dos sete tripulantes mortos na explosão da nave a 28 de janeiro de 1986.

O jornal lembra ainda que o lançamento do Challenger havia sido adiado várias vezes devido a problemas meteorológicos e recorda que este é o pior desastre da corrida espacial que até então fizera sete mortos – um número que duplicou com a explosão do Challenger.

Nos dias seguintes, o DN continua a acompanhar a tragédia em torno da explosão do Challenger, desde o regresso a casa do irmão e da mãe de Christa McAuliffe, mãe de dois filhos pequenos na altura da sua morte, até às operações de resgate dos destroços do vaivém. No dia 31, apenas 270 quilos de destroços haviam sido recuperados, dos 90 mil que o Challenger pesava. Nas páginas do jornal cabiam ainda notícias um pouco mais esotéricas como a que dava conta do astrólogo libanês que garantia ter previsto a tragédia.

Helena Tecedeiro

Existem 3 comentários

  1. João Mendes

    O desastre do Challenger ocorreu em 1986 e não em 1980 (como aliás se vê na data da 1ª página do jornal).

  2. Jose Rodrigues

    Diz-se que a morte dos astronautas não foi instantâmea e só ocorreu quando o cockpit do vaivém caiu ao mar. Aliás, o cockpit separou-se do resto da nave logo na explosão.

  3. Frederico Ferreira

    “A 25.ª Challenger levantou, ganhou velocidade(…)” e nós a pensarmos que Challenger era nome próprio da nave.
    E uma dúvida, afinal o veiculo espacial Challenger fez 10 ou 25 missões?
    Talvez uma revisão rápida antes de publicar detete estes erros óbvios.

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