Ourivesaria Rosas: A inovar na joalharia desde 1851

“Uma empresa familiar tradicional com mais de cinco gerações de joalheiros dedicados.” É assim que se apresentam ao público. José Rosas é o atual proprietário da ourivesaria com o mesmo nome. Os Rosas asseguram a tradição, procurando sempre inovar. É desta forma que desde 1851 conquistam gerações de clientes.

A Rua das Flores foi a primeira morada da joalharia

A Rua das Flores foi a primeira morada da joalharia

No número 282 da Rua Eugénio de Castro, no Porto, nasceu em 1977 aquela que era, na altura, a “lojinha” da ourivesaria José Rosas & Cª. Hoje é “a loja”. A decoração é inspirada naquela que foi feita pelo arquiteto Sardinha para a loja da Rua das Flores e os imponentes móveis pretos foram, inclusive, trazidos de lá, da loja onde as senhoras eram recebidas com um chá no primeiro andar. A iniciativa era inovadora para a época e não tardou até que se tornasse um local de encontros e tertúlias, o que contribuiu, e muito, para o nome que ganhou.

“O meu bisavô era muito desenrascado. Conheceu a Europa, relacionou-se bem e trouxe novidades, coisas fantásticas para a época”, conta José Rosas, atual proprietário. Em 1903 até criou um catálogo de venda de bijuteria, joalharia e relojoaria com preços, algo fora do comum para a data. Inovação foi também uma característica da geração seguinte, a do avô de José Rosas, que trouxe de Paris e de Londres conhecimentos que aplicou no negócio.

José Rosas e a mulher, Sónia, são a quinta geração à frente da loja

José Rosas e a mulher, Sónia, são a quinta geração à frente da loja

Entre os trabalhos mais importantes dos seus antepassados, José Rosas destaca a espada de honra Mouzinho de Albuquerque (1900), ou o restauro das joias da coroa, trabalho encomendado pelo Estado ao seu avô. Nos anos em que o pai – “o primeiro português a tirar o curso de gemologia em Londres” – tomou conta da empresa, o ex-libris aconteceu em 1967. Com o ouro que era oferecido em Fátima, fez dois cálices e uma pixide em ouro e pedras preciosas para a vinda do Papa.

As clientes que em tempos iam à loja com as avós, hoje vão com os filhos. Há quem ali passe para avaliar ou restaurar uma joia, para encomendar um anel de pedido ou um faqueiro, ou para comprar uma medalha. Mas há muito mais. Aquilo que diferencia a marca, segundo José Rosas, é o facto de 80 a 90 por cento das peças serem desenhadas pelo próprio e pela esposa. Outras foram concebidas ainda no tempo do pai. E a confiança – dos clientes e dos fornecedores -, porque, no ramo, sem confiança não há negócio. Discrição é também um dos segredos da área, tanto que José evita falar das joias que já fez e são poucas as que se veem em exposição. “Nem sequer existe um registo histórico tão evidente como das restantes peças, porque as pessoas não gostam que se fale.”

Ao longo das cinco gerações, muitas crises foram vividas e ultrapassadas, sobretudo com “a procura de coisas novas.” No entanto, assegura Rosas que a sua joalharia não sente tanto o impacto da diminuição do poder económico como as empresas concorrentes. “Trabalhamos com um nicho de mercado que sentiu, mas não com a mesma intensidade, os efeitos da crise. E não mandamos vir tanto material de fora.” Quando está desanimado, José lê os anuários dos seus antepassados, onde estão espelhadas várias crises económicas. “Isso dá-nos alento. E como o voo não é muito alto, a queda não é tão grande.”

Apesar de ter estado sempre ligado à loja, só em 2001 é que José Rosas, engenheiro de formação, pegou no negócio da família. A mulher, neta de ourives, foi trabalhar para a loja em 79 e mantinha-o a par do que por ali se passava. Quando entrou na sociedade com o pai, José foi a Londres conhecer os fornecedores e acabou por fazer também o curso de gemologia.

“Peguei numa casa que estava adormecida e tentei inovar. Naquela altura estávamos a comprar muito lá fora e eu inverti um pouco isso”, explica ao DN. A ourivesaria Rosas trabalha com pequenas oficinas da zona norte e tem critérios muito apertados para garantir que as suas peças não vão ser reproduzidas. “As joias são desenhadas para o cliente.” E cada peça conta uma história, algo que quem compra valoriza. Até ao momento, a peça que lhe deu mais gozo fazer foi o colar da presidência da Câmara Municipal do Porto. “Mas espero ter a oportunidade de fazer mais coisas”, acrescenta.

Ao contrário de muitas joalharias, a José Rosas não vive de marcas. Tem relógios da Hermes e pouco mais. Não tiram valor à concorrência. “Um comerciante quer sempre mais”, explica Sónia, a esposa. Por isso até brincam dizendo que estão “sempre em crise.” Podiam ter-se dedicado à compra de ouro usado, mas José diz que “é um negócio sujo.”

Joana Capucho

Sem comentários

  1. AP Zolezzi (Mrs)

    Tenho um estojo de talheres de prata com a sua respectiva caixa (móvel) de madeira, completo (pormenores serão dados quando tiver estabelecido contacto com alguém que eu identifique e aceite como de confiança, através de email, com cerca de 6 kgs de peso, prata pura, em que identifiquei a marca, ou cunho, parecendo datar de 1937.

    Seriam capazes de me orientar de forma a eu vender este estojo?

    Aguardo a resposta.

    AP Zolezzi

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