Gran Cruz: Líder a levar o vinho português a bom Porto

Em colaboração com mais de três mil viticultores, o grupo Gran Cruz vende anualmente cerca de 25 milhões de garrafas de vinhos de Porto, Madeira e Douro e exporta para mais de 50 países. Adega futurista é aposta para continuar a crescer e a possibilidade de adquirir vinhas no Douro está em análise.

Foi em 1887 que a casa Gran Cruz sucedeu à Assumpção & Filhos. Desde então, o grupo Gran Cruz afirmou-se como o principal exportador de vinho do Porto, apresentando uma média anual de 25 milhões de garrafas vendidas, que chegam a mais de 50 países – 93% da faturação do grupo advém de exportações, sobretudo para França, seguida por Espanha, Rússia e Bélgica.

No último ano, foram vendidas 22,5 milhões de garrafas de vinho do Porto, além de dois milhões da Madeira, 400 mil do Douro e ainda 400 mil de bebidas espirituosas. Apesar de as exportações terem dobrado na última década, foi em 2009, ano em que Jorge Dias assumiu o cargo de administrador da empresa em Portugal, que a Gran Cruz conheceu um ponto de viragem.

Embora fosse líder do mercado do vinho do Porto, com uma quota global de 23%, a “imagem” da Porto Cruz estava aquém das concorrentes. “Uma marca não pode ser apenas um produto. Tem de lhe associar uma alma e criar à sua volta uma aura, uma ilusão e um mistério. Uma marca não pode apenas vender um produto, tem também de vender emoções. E quando assim é, fidelizamos o cliente, não para sempre, mas pelo menos até ao próximo ato de compra”, defende Jorge Dias, admitindo que a Gran Cruz não apresentava “a espessura histórica da generalidade das marcas de vinho”.

Daí nasceu a necessidade de se “adaptar à realidade do mercado e atuar proativamente junto do ponto de venda e do consumidor”. “Em 2009 lançámos um novo produto, o Porto Cruz Pink, dirigido a um público mais jovem e cosmopolita, com uma campanha de marketing massiva em que mais uma vez se rasgavam os códigos do vinho do Porto, e que nos permitiu nestes três anos de comercialização alcançar uma quota de mercado de mais de 70% nesta categoria”, sublinha Jorge Dias, destacando ainda “a campanha ‘Porto Cruz – País onde o negro é cor’, em que uma mulher vestida de negro contrastava com as cores fortes de Portugal, constituindo talvez a mais importante campanha publicitária do país desde sempre realizada em França”.

Jorge Dias aposta na inovação da marca centenária

Jorge Dias aposta na inovação da marca centenária

A Gran Cruz não detém vinhas próprias no Douro, ao contrário do que sucede na Madeira, por isso recorre às uvas de “cerca de três mil viticultores”, que suprimem metade das necessidades. “Os restantes 50% são adquiridos em vinho a diversos produtores e adegas cooperativas espalhadas pela região, de acordo com um caderno de encargos que é contratualizado”, explica Jorge Dias, adiantando que a Gran Cruz admite investir em vinhas próprias no Douro. “Estamos atentos às oportunidades que possam aparecer.”

No Douro não há vinhas próprias, mas a Gran Cruz avançou para um investimento, na ordem dos 14 milhões de euros, em novos centros logísticos de vinificação e de logística em Alijó, com recurso a inovadoras tecnologias. O sistema de automação, assente em mais de 35 quilómetros de tubos, permite processar cerca de sete mil toneladas de uvas, destinadas a uma capacidade de armazenamento de 360 mil litros de vinho. Trata-se da grande aposta do grupo. “O desafio é operacionalizar o investimento na nova adega e centro logístico de Alijó e dar um impulso na comercialização dos vinhos do Douro, de forma a valorizarmos aquela produção”, destaca Jorge Dias, atento aos objetivos de “alargar a base de consumidores e dos momentos de consumo”, sobretudo entre os grupos jovens.

O grupo Gran Cruz conta com 135 trabalhadores, entre continente e Madeira, e a faturação do último ano, em “termos consolidados, ou seja anulando as operações entre empresas, foi cerca de 70 milhões de euros”. Além de potenciar a nova adega “futurista”, o vinho do Porto continuará, naturalmente, a ser a grande aposta da Gran Cruz. “Além de ser um vinho com uma extraordinária diversidade em termos de cores, aromas e sabores, que permite associar-se facilmente a uma gastronomia mais elaborada, é um vinho com uma enorme versatilidade. O que não podemos é ficar à espera que sejam os jovens a vir ter connosco e experimentá-lo. Temos de ser nós a desafiá-los para novas experiências”, vincou.

João Ruela

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