A invasão da Etiópia pela Itália de Mussolini

O DIA EM QUE O DN CONTOU: Às cinco da manhã de 3 de outubro de 1935, um exército comandado pelo general italiano De Bono atravessou, sem uma declaração de guerra, a fronteira entre a Eritreia e a Etiópia. Pobremente armados, os etíopes não conseguiram resistir. O DN consegue, nesse mesmo dia, publicar a notícia em manchete e uma reportagem em Roma

Terão estado entre cem mil e 300 mil pessoas a ouvir Mussolini na Praça de Veneza, todos suspensas das palavras por este proferidas ao início da noite: “Quando a figura energica do Duce assoma ao balcão os aplausos atingem o delirio. Depois, silencio – chegando a ouvir-se cantar a agua das fontes...”

Terão estado entre cem mil e 300 mil pessoas a ouvir Mussolini na Praça de Veneza, todos suspensas das palavras por este proferidas ao início da noite: “Quando a figura energica do Duce assoma ao balcão os aplausos atingem o delirio. Depois, silencio – chegando a ouvir-se cantar a agua das fontes…”

“Não podemos deixar de admirar a enormidade do esforço da Itália fascista, e a portentosa obra material já levada a cabo pelo Duce, na consecução da ingrata empresa a que ele meteu os seus ombros gigantescos.” Assinada por Vasco Borges  (que se crê ser o parlamentar do mesmo nome, confidente de Salazar e juiz de carreira, tendo desempenhado cargos governativos de 1920 a 1926, o último dos quais de ministro dos Negócios Estrangeiros), a coluna de opinião da primeira página do DN, ainda que intitulada “Imparcialidade” não regateia elogios a Mussolini e à Itália fascista, em pandã com a imagem de um enorme Duce recortado de braço estendido, mas frisa que a invasão da Etiópia – certificada pela reprodução de um telegrama do “Negus da Abissínia” ao secretário geral da Sociedade das Nações (a organização internacional que nasce da Primeira Grande Guerra e que virá a ser, na sequência do conflito mundial seguinte, substituída pela ONU) — infringe os tratados internacionais celebrados pela nação no contexto da SDN. E se a perspetiva colonial e eurocêntrica impera — descreve-se a Etiópia como “um país independente, úbere de riquezas, mas de vida bárbara e improgressiva” – defende-se ainda assim a ideia de que esse país tem direitos.

Exército comandado pelo general italiano De Bono atravessou, sem uma declaração de guerra, a fronteira entre a Eritreia e a Etiópia

Exército comandado pelo general italiano De Bono atravessou, sem uma declaração de guerra, a fronteira entre a Eritreia e a Etiópia

Ideia completamente ausente do sentir dos italianos, a crer no texto do enviado especial a Roma, Urbano Rodrigues, que, datado do dia anterior, descreve o apelo à mobilização geral e o discurso do ditador no centro da cidade, a que assiste “junto ao ministro de Portugal, professor dr Lobo de Ávila Lima”. O jornalista do DN (pai de Urbano e Miguel Tavares Rodrigues) calcula que terão estado entre cem mil e 300 mil pessoas a ouvir Mussolini na Praça de Veneza, todos suspensas das palavras por este proferidas ao início da noite: “Quando a figura energica do Duce assoma ao balcão os aplausos atingem o delirio. Depois, silencio – chegando a ouvir-se cantar a agua das fontes…” Num texto ao lado, com o título “A organização dos fascios”, do mesmo jornalista (que, nascido em 1888, fora secretário e chefe de gabinete de Afonso Costa no Governo da 1ª República) mas que se assinala ditado pelo telefone, enumeram-se as forças fascistas que desfilaram em parada (ilustrada por uma fotografia). Há “fascistas de combate” (quase dois milhões), “grupos universitários fascistas”, “mulheres fascistas”, “grupos de meninos fascistas”, a juntar a “forças de mílicia”. Tudo junto, mais de 10 milhões de homens que “a um simples sinal do Duce estão prontos a mostrar ao Mundo a força e a disciplina da nova Itália, assim o diz enfaticamente ‘uma ordem de serviço’.”

FERNANDA CÂNCIO

Existem 3 comentários

  1. Observador

    O que significa «em pandã»? À partida parece ser mais uma asneirada charolesa, daquelas em que o DN se tornou tão profícuo nos últimos anos. Saudades dos tempos em que se escrevia português – uma língua antiga que deveria ser ensinada a esta gente.

    1. Otelo

      Em pandã quer dizer em festa. Pandã = festa.
      Tem piada (acho) mas não entendo o uso da palavra charolesa no contexto do seu comentário. Charolesa = raca bovina.

  2. J.J.JEREMIAS

    Mussolini , o fascista, aliado ao socialista nazi Adolf Hitler foi copiado pelo mundo afora e ainda nos dias de hoje! O caso mais recente é o do mafioso ex-KGB Vladimir Putin, com largas ambições imperialistas. Tal como Mussolini, Putin é um cobardolas e não conseguirá os seus intentos…

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