A histórica primeira maioria absoluta de Cavaco Silva

A moção que levaria cavaco à maioria absoluta. A força dos 45 deputados do PRD associada aos 57 do PS e aos 38 da APU ditariam a sorte de Cavaco e o fim dos renovadores de Eanes. A 3 de abril de 1987 festejou-se no PRD. 107 dias depois, o PSD renascia com 146 deputados.

A moção que levaria cavaco à maioria absoluta. A força dos 45 deputados do PRD associada aos 57 do PS e aos 38 da APU ditariam a sorte de Cavaco e o fim dos renovadores de Eanes. A 3 de abril de 1987 festejou-se no PRD. 107 dias depois, o PSD renascia com 146 deputados.

OS DIAS EM QUE O DN CONTOU: A moção de censura de 3 de abril de 1987 mudou o cenário político. O PSD de Cavaco ganharia impulso para duas maiorias absolutas. O fim do PRD seria ditado em julho. O CDS entraria em queda. E só dez anos depois, com Guterres, o PS voltaria ao poder. A travessia no deserto esteve destinada a Constâncio e a Sampaio

“Com uma moção de censura cuja razão de ser nada ficou a dever à transparência, o PRD ofereceu ao PSD a oportunidade soberana de alcançar a desejada maioria absoluta e um resultado histórico. Cavaco Silva talvez não esperasse tão cedo este erro de avaliação dos seus opositores”. As palavras são de Dinis de Abreu, diretor do DN, que no editorial publicado no dia 20 de julho de 1987 – “A vitória anunciada” – aconselhava a esquerda a refletir.

A “explosão de alegria do PSD engarrafou as ruas da capital”. Cavaco Silva seria “aclamado por milhares de pessoas” na Alameda D. Afonso Henriques e repetiria aí o discurso da “vitória histórica” que dedicaria à juventude. “Queremos que todos os portugueses se sintam mobilizados para uma nova arrancada da construção de um Portugal mais moderno e mais feliz.”

A “explosão de alegria do PSD engarrafou as ruas da capital”. Cavaco Silva seria “aclamado por milhares de pessoas” na Alameda D. Afonso Henriques e repetiria aí o discurso da “vitória histórica” que dedicaria à juventude. “Queremos que todos os portugueses se sintam mobilizados para uma nova arrancada da construção de um Portugal mais moderno e mais feliz.”

E “motivos abundantes” não faltavam. Mário Soares, eleito presidente em 1986 por uma “margem tangencial”, tinha recusado “soluções de recurso nas quais o quiseram envolver”; Ramalho Eanes tinha “desbaratado o capital de prestígio pacientemente amealhado ao longo de dois mandatos presidenciais”; o PS de Vítor Constâncio que “temeu perder a esquerda se optasse por seguir apenas o seu próprio caminho” encaminhava-se agora para uma “demorada travessia longe do poder”; e o PCP de Álvaro Cunhal “não conseguiu o que esperava: fixar o seu eleitorado tradicional – um revés”.

A “tendência” ganhava “nitidez”. O “centro e a direita democrática ganharam terreno nos últimos anos e consolidaram-se”, mas havia uma “queda” importante que deixava “incerta” a sorte do seu líder. O CDS e Adriano Moreira estavam entre os “vencidos”. Dos 22 deputados conquistados em 1985, os centristas estavam agora reduzidos a quatro. “Mudou o regime político em Portugal sem revisão constitucional”, concluiria o líder do CDS.

Cavaco Silva, que prometeu, na noite de 19 de julho de 1987, governar o país com “autoridade democrática” ainda ouviria nessa noite Carlos Coelho, então líder da JSD, fazer as contas da “organização juvenil” do PSD. “Somos, a partir agora, o quarto grupo parlamentar, à frente do PRD e do CDS. Vai ser giro…”

Artur Cassiano

 

Existem 7 comentários

  1. trauliteiro

    Há 27 anos q temos q conviver com a presença deste senhor nas nossas vidas. Não entendo o objectivo da republicação desta reportagem. O senhor em causa, já deveria estar retirado, em sua casa, de pantufas calçadas, junto à lareira. É difícil compreender que começamos a sentir-nos um pouco esgotados pelos seus discursos, avisos, censuras, etc?

  2. Tesourinhas

    Já naquele tempo o DN dizia «abstenção atingiu o maior nível de sempre». E a tendência continua a acentuar-se, continuando os políticos a assobiar para o lado, já que o embuste do sistema eleitoral vigente lhes permita dizer que obtiveram maioria, quando na realidade é mentira.

  3. Luís Filipe Martins

    Uma vida da “Politico”. Como se sentirá na sua “consciência” de ver este Portugal cheio de misérias e desgraças? Que servem os conselhos depois sem os exemplos? A Educação vem com Educação. Assim fácil falar de Ètica de Moral e de Princípios, todos o fazem. Mas a Honra e a Palavra não se aprende nas escolas, mas na Vida. Se tivessemos as cores da Vida claro que a multiplicariamos. Mas porque nos faltam a não podemos encontrar.
    Em tantos anos criámos uma sociedade onde 10% das familias vivem com 60% da “riqueza”. Para mim Cavaco Silva é apenas um economista ( cada um pode analizá-lo). Mas um sem a visão espiritual , tem uma ideia muito incompleta e limitada da Vida.

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