A assinatura do tratado de adesão à CEE

O DIA EM QUE O DN CONTOU: Culminando um processo iniciado em 1977, com o pedido de adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), a 12 de junho de 1985, era assinado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o tratado que concretizava essa adesão. A partir de 1 de janeiro de 1986, Portugal tornava-se o 11.º membro da CEE

Momento em que o primeiro-ministro Mário Soares assina o tratado de adesão, vendo-se ainda os então vice-primeiro-ministro Rui Machete e o ministro das Finanças e do Plano Ernâni Lopes

Momento em que o primeiro-ministro Mário Soares assina o tratado de adesão, vendo-se ainda os então vice-primeiro-ministro Rui Machete e o ministro das Finanças e do Plano Ernâni Lopes

“A nossa Europa ficaria órfã de pais ilustres” sem a presença de Portugal nas Comunidades Europeias. O 12 de junho de 1985 era, por isso, um “momento histórico” para Portugal e para a Europa, afirmava o então presidente da Comissão, Jacques Delors, na cerimónia de assinatura do tratado de adesão, realizada no claustro dos Jerónimos, na solarenga manhã de quarta-feira em que decorreu a cerimónia.Esta foi antecipada por uma receção às “delegações comunitárias” na Torre de Belém primeiro-ministro Mário Soares, “com guarda de honra”, logo a partir das 8.30 da manhã. Depois, já nos Jerónimos, em “dez minutos, chefes de governos e ministros plenipotenciários chamados um a um no claustro (…) assinaram, ontem, o documento que faz a Europa chegar totalmente ao Atlântico, e Portugal tornou-se no momento o 11.º Estado membro da Comunidade.

A cerimónia culminou quando, às 10 e 33, o primeiro-ministro português, Mário Soares, perante as autoridades comunitárias e 700 convidados, pôs a a sua assinatura no novo livro da Europa alargada”, lia-se na primeira página de 13 de junho, toda ela dedicada à dupla adesão peninsular. Pois, no dia anterior, não fora só Portugal a aderir à Comunidade Económica Europeia (CEE), também em Madrid, “num fim de tarde extremamente quente”, como escrevia o enviado especial J. Fragoso Mendes a partir da capital espanhola, era assinado tratado idêntico.

Aspecto geral da cerimónia nos claustros dos Jerónimos

Aspecto geral da cerimónia nos claustros dos Jerónimos

A primeira página do DN continha ainda um outro título, também dedicado a Espanha e revelador do ambiente de tensão no país vizinho: “Oficial espanhol morto em Madrid por um comando separatista basco” no mesmo dia da assinatura do tratado de adesão.De volta a Lisboa, o DN descreve como, após a cerimónia dos Jerónimos, o presidente da República, António Ramalho Eanes, “recebeu os cumprimentos das entidades presentes na assinatura”, tendo proferido um discurso sobre os “benefícios” e “dificuldades” para a Europa e para Portugal resultantes da adesão.

Em especial para este último, que se terá de adaptar”à nova dinâmica económica” e que, “mais do que isso, terá de fazer sua”. Em idêntico sentido se pronunciara, ainda nos Jerónimos, o primeiro-ministro Mário Soares, depois de sublinhar que o local escolhido para a cerimónia, “simbolicamente”, representava uma “nova arrancada” para Portugal “por um futuro de progresso e modernidade”. Todavia, “não se pense que seja uma opção de facilidade. Exige muito dos Portugueses, embora lhes abra, simultaneamente, largas perspectivas de desenvolvimento.”Como detalhe histórico, o DN releva a presença nas cerimónias do “embaixador Siqueira Freire. Foi este diplomata que em 28 de Março de 1977, na qualidade de representante de Portugal junto das Comunidades, entregou às autoridades europeias em Bruxelas o pedido formal de adesão”, concretizada oito anos mais tarde.

Abel Coelho de Morais

Existem 4 comentários

  1. Antonio Garrido

    O momento em que Portugal perdeu a sua Independencia, depois de tantos anos
    de luta e sobrevivencia, pela sua conquista.

  2. Paulo Reis

    O Coveiro de Portugal, como será lembrado por muitos. Viveu estas anos todos faustosamente às custas do erário publico.

  3. Julio Amorim

    Lamento….mas Portugal não estaria melhor se tivesse ficado fora da CEE. Não tínhamos é tido aqueles anos de fulgor (e festa) como durante a Expo 98 e o Euro 2004. Em 2011 voltamos à realidade. Afinal o que se fez por cá desde 1986 foi feito com doações e empréstimos. Nada foi feito por produzirmos mais e melhor ! Foi uma economia de injeção, mas o medicamento acabou. Não conseguimos mais de que ser meros consumidores por empréstimo….e almoços de borla nunca existiram. Ficamos com o carimbo de incompetentes e preguiçosos. O primeiro titulo para quem nos governou. O primeiro e o segundo para todos nós. E, acreditem, com o problema demográfico que já cá está….as melhoras já devem ficar para o fim deste século….e isso já não é para nós.

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