Banco Carregosa: Excelência e rigor em quase dois séculos de aconselhamento financeiro

Fundada em 1833, a Casa Carregosa atravessou revoluções, crises e tumultos adaptando-se sempre aos tempos. O segredo está no carinho de quem constrói dia a dia a reputação do Banco, respeitando-o como herança familiar. A instituição financeira mais antiga da Península Ibérica reinventou-se sempre e chega aos 181 anos com grande prosperidade.

Quem desce a Rua das Flores, no Porto, não consegue passar sem deixar de reparar na fachada que reveste a antiga sede da L. J. Carregosa & Companhia Limitada. As letras em ferro cravadas na parede anunciam que naquela casa se lidava com moedas, cupões e papéis de crédito. A sede já passou, entretanto, para a Avenida da Boavista, mas naquela pitoresca rua da Invicta ainda permanece o testemunho do início daquele que se haveria de tornar o Banco Carregosa, instituição financeira criada em 1833 e que ainda hoje prima pelos valores da discrição, tradição, rigor e excelência.

Maria Cândida continua o trabalho do pai à frente do Banco Carregosa

Maria Cândida continua o trabalho do pai à frente do Banco Carregosa

Na terceira década do séc. XIX a firma L. J. Carregosa iniciou a sua actividade na cidade do Porto. Foi em plena guerra civil, durante as lutas liberais entre D. Pedro IV e D. Miguel I, que se ergueu por entre as ruas da Invicta a casa financeira mais antiga da Península Ibérica, 13 anos antes da fundação do Banco de Portugal. Os poucos dados que se podem consultar nos arquivos não detalham muito os primeiros anos de actividade, mas sabe-se que se dedicou à venda de metais preciosos e que teve o alvará de Casa de Câmbios.
Cedo acrescentou a esta actividade a venda de títulos, já que a rota dos estrangeiros que visitavam Portugal não incluía o Porto. Normalmente era na capital, Lisboa, que atracavam os barcos vindos de outras paragens, o que fazia com que na Invicta o serviço de câmbios não fosse muito procurado.
A Casa Carregosa evoluiu com o passar dos anos e foi já em meados do séc. XX que se dedicou ao que altualmente se chama “private banking”, fazendo a gestão de carteiras sempre com perfil de cada um dos clientes como principal diferencial.
A casa tornou-se, assim, especialista em gestão de fortunas, o chamado “core business”, como se diz em linguagem financeira, atual do Banco Carregosa. “Sucintamente, o que fazemos é sugerir os títulos mais adequados para a dimensão das fortunas dos nossos clientes”, explica Maria Cândida Rocha e Silva, que pelos anos 70, apesar de formada em Letras, se envolveria no negócio do pai, homem que dedicou à casa uma vida inteira e que acabou como único sócio da Casa, cimentando o caminho para o atual cargo de presidente do banco.
Maria Cândida aceitou o desafio como forma de perpetuar no tempo o trabalho da família e não permitir que uma casa centenária fechasse as portas.
Na revolução do 25 de Abril de 1974, as casas de câmbio tiveram tratamento privilegiado não sendo nacionalizadas. Passados cinco anos, a casa portuense faria história: Maria Cândida iria tornar-se a primeira mulher corretora oficial da Bolsa Portuguesa. Com a abertura da Bolsa do Porto em janeiro de 1981, iniciaram-se tempos prósperos para a Invicta. Nas décadas posteriores a casa evoluiria: como sociedade corretora em 1994; sociedade financeira de corretagem em 2001 e em 2008 chegou a autorização para se transformar num banco, o que aconteceu em 2009.
Na génese do negócio desta instituição que conta com 181 anos esteve sempre o cuidado no tratamentodos clientes. Essa discrição e excelência são ainda bandeiras da instituição, que a distingue de qualquer outro banco. “Somos uma casa especializada. Ao contrário de outros bancos, o cliente não vem pedir um financiamento. Primeiro recorre aos nossos serviços para fazer a gestão do seu capital e depois é que eventualmente avança para um financiamento”, refere Maria Cândida.
Para a presidente, o Banco Carregosa é quase como uma família, em que todos os que lá trabalham “partilham do amor e respeito pela casa”, e que é isso que o torna diferente de todos os outros bancos.
Para o futuro, a presidente espera que o banco mantenha o cunho familiar indispensável à história da instituição e ao propósito do negócio. Para já, apesar de os filhos não se envolverem, tem já dois genros a trabalhar ativamente na gestão do banco. Mesmo que a casa não continue na família, a presidente não se mostra preocupada. “O importante é que quem continuar trate o Banco Carregosa com o mesmo respeito e dedicação e imponha o mesmo nível de exigência que hoje procuramos manter”, diz.
Bruno Abreu

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